Sina nordestina
O mar que abraça e amedronta e mata
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Axé, meu amigo. Lá no litoral de Pernambuco, onde o sol nasce na areia e o coqueiro balança como quem conversa com Deus, aconteceu mais uma daquelas histórias que misturam beleza e dor.
Nos últimos dias, um menino de apenas 13 anos foi levado pelo mar enquanto brincava na Praia do Del Chifre, em Olinda — ali pertinho de Recife, onde o mar é claro e traiçoeiro. Mesmo com placa avisando do perigo, o tubarão chegou, mordendo o jovem e tirando sua vida antes que o socorro chegasse de verdade.
A conta triste agora subiu: são 82 ataques de tubarão registrados desde 1992 na costa pernambucana, dos quais 27 resultaram em morte.
Nesse pedaço de terra e mar, o tubarão — muitas vezes o tubarão-cabeça-chata ou tubarão-tigre — virou personagem constante da memória local. Eles se aproximam das água turvas misturadas com a foz dos rios Capibaribe e Beberibe, confundem o caminho e, às vezes, confundem também quem se arrisca no banho.
o pernambucano, ah, esse guarda na pele as histórias do mar: ora bravia que dá vida e sustento, ora mistério que assusta e cobra seu preço. Porque aqui se aprende cedo: o mar é generoso, mas também é besta — não admite descuido nem desatenção.