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Isto é Brasil

O ônibus das seis da manhã é uma teoria social

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Se algum sociólogo quiser entender o Brasil, deveria pegar um ônibus às seis da manhã.

Ali está o país real: mulheres indo trabalhar cansadas antes mesmo do dia começar, homens dormindo sentados porque chegaram tarde do outro emprego, estudantes tentando equilibrar mochila, fome e futuro.

A cidade produz desigualdades até no modo como os corpos circulam. Pierre Bourdieu já demonstrava que classe social não define apenas renda; define também experiências cotidianas, acesso ao tempo, conforto e dignidade.

Algumas pessoas atravessam a cidade como escolha. Outras atravessam como necessidade.

Há uma diferença brutal entre viajar e se deslocar para sobreviver.

E talvez o maior erro das elites intelectuais seja tentar compreender a sociedade apenas por estatísticas, esquecendo que a realidade também mora no cheiro do ônibus lotado, no silêncio cansado das manhãs e nas pessoas que seguem mesmo sem energia.

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