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Delegado Ataliba Neto

O panorama da segurança pública no coração da Ceilândia

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Acervo Pessoal

À frente de uma das unidades mais estratégicas da capital, o delegado-chefe da 15ª DP, Ataliba Neto, recebeu Notibras para um balanço detalhado sobre a segurança em Ceilândia. Em uma conversa franca, o titular abordou o impacto das recentes operações contra o tráfico e o criminalidade geral, traçando um panorama dos desafios e avanços no combate à criminalidade que afeta o cotidiano da maior região administrativa do Distrito Federal.

Doutor, Ceilândia tem liderado as reduções nominais de roubos a transeuntes no DF. Na área da 15ª DP, essa melhora se deve à desarticulação de receptadores no comércio central ou o senhor observa que a repressão ao CVLI gerou um efeito preventivo que inibiu crimes patrimoniais?

A redução é resultado de uma estratégia integrada. O combate qualificado aos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) gera efeito preventivo direto, pois também atinge indivíduos com histórico em crimes patrimoniais. Paralelamente, a 15ª DP intensificou a repressão à receptação no centro comercial, atingindo o elo econômico que sustenta furtos e roubos. Ao sufocar o mercado ilícito, reduzimos o incentivo à prática criminosa. Segurança pública eficaz passa por retirar a vantagem econômica do crime.

Dados da PCDF mostram uma migração para crimes de menor contato físico. Como a 15ª DP tem adaptado o seu setor de inteligência para lidar com a alta de estelionatos e fraudes eletrônicas que utilizam a densidade comercial de Ceilândia como camuflagem?

Estamos ampliando a análise de dados digitais, rastreamento financeiro e cruzamento de informações com instituições bancárias e operadoras. A Análise Eletrônica tem sido ferramenta essencial para mapear padrões. Além disso, reforçamos a capacitação da equipe para investigação de crimes cibernéticos, acompanhando a tendência nacional de migração do crime físico para o virtual.

A Operação Veneratio focou no coração da receptação no Shopping Popular. O senhor acredita que sufocar os estabelecimentos que revendem peças ilícitas é hoje mais eficaz para reduzir o furto de rua do que o patrulhamento ostensivo tradicional?

São estratégias complementares. O patrulhamento ostensivo é essencial para resposta imediata, mas a investigação estrutural é o que desorganiza a cadeia criminosa. Ao atingir pontos de receptação, quebramos a engrenagem que financia o furto e o roubo. A Operação Veneratio demonstrou que inteligência e investigação aprofundada geram impacto duradouro.

O combate ao tráfico na QNN 3 e QNN 5 tem mirado o “tráfico de vizinhança”. Como o isolamento dessas lideranças locais impactou a redução de furtos de veículos?

Essas áreas são muito utilizadas como pontos de venda e comércio de drogas, as quais muitas vezes são pagas com bens subtraídos. Ao desarticular lideranças locais, reduzimos a infraestrutura criminosa disponível. O impacto é sistêmico: menos tráfico estruturado significa menos circulação de indivíduos envolvidos em múltiplas práticas ilícitas, inclusive furtos de veículos.

Ceilândia é uma das regiões que mais utiliza o Botão do Pânico. Como a 15ª DP monitora o cumprimento das Medidas Protetivas?

Resposta:
Por compartilharmos nosso espaço físico com a DEAM 2, a 15ª DP não possui atribuição para apurar crimes relacionados à violência doméstica.

O DF mantém resolutividade de homicídios acima de 70%. Qual o peso da SICVio da 15ª DP nesse índice?

O comprometimento dos agentes da seção é fundamental na apuração de crimes contra a vida. Em todas as delegacias circunscricionais do do DF existe uma equipe de sobreaviso para a apuração de crimes graves, em especial os de homicídio. Na 15ª DP não é diferente. Ademais, a Seção de Investigação de Crimes Violentos atua com metodologia técnica, análise de vínculos e reconstrução detalhada da dinâmica dos fatos. Mesmo em áreas de maior vulnerabilidade, a atuação rápida nas primeiras horas é decisiva. A manutenção da alta resolutividade é fruto do comprometimento dos policiais e do trabalho técnico contínuo e integração com perícia e inteligência.

Como o compartilhamento de informações com a PMDF tem ajudado na redução de roubos em transporte coletivo?

O fluxo de informações em tempo real permite abordagem direcionada e preventiva. Dados levantados pela investigação alimentam o policiamento ostensivo, que por sua vez retroalimenta a inteligência com informações de campo. Essa integração é determinante para atingir metas consistentes de redução.

O uso de LPR já permite identificar veículos furtados entrando na área comercial?

A tecnologia de Reconhecimento de Placas é ferramenta importante dentro de um sistema mais amplo de monitoramento. Quando integrada ao banco de dados policial, permite respostas mais rápidas e direcionadas, aumentando a chance de recuperação de veículos e identificação dos envolvidos nas subtrações.

Como a 15ª DP utiliza registros da Delegacia Eletrônica para planejamento operacional?

Os registros alimentam análises estatísticas e mapas de calor que indicam horários, locais e padrões de incidência. Mesmo quando o cidadão não comparece fisicamente à unidade, a informação registrada é fundamental para orientar operações de campo e ações preventivas.

Com o crescimento da área central, qual o maior desafio logístico para os próximos dois anos?

O principal desafio é acompanhar o crescimento urbano com inteligência estratégica. O fortalecimento do efetivo operacional é importante, mas a ampliação da capacidade investigativa — especialmente na área cibernética — será determinante para enfrentar as novas modalidades criminosas. Segurança moderna exige tecnologia, integração e qualificação permanente.

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