Geleia geral
O POETA DE ASSOMBROS
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“Ê, bumba-yê-yê-boi / Ano que vem, mês que foi / É a mesma dança, meu boi”
*(GELEIA GERAL, música de Torquato Neto e Gilberto Gil, 1968)
Descrito como doce, porém com temperamento forte; sensível, mas desapontado com os rumos do Brasil na ditadura e do movimento tropicalista depois de sua efervescência, Torquato Neto demonstrava esse humor oscilante de poética e assombros em seus escritos.
Ao mesmo tempo em que falava a partir de um quadro que hoje pode ser descrito como depressivo, via cores e alegrias, queria continuar vivo.
Apesar de ter se suicidado aos 28 anos, sua presença é tão marcante e lembrada pelos amigos que, mesmo hoje, é difícil que alguém não conheça alguma de suas músicas.
< Os versos de POEMA DO AVISO FINAL, escrito em 1970, em plena ditadura brasileira é brilhante e premonitório.
“Torquato foi um dos primeiros gênios que atentou para a minha música, a minha estética como compositor e pessoa; um poeta infinito de iluminações, invenções e gentileza bruta, guerreira”
*(Gilberto Gil, músico e poeta baiano)
GELEIA GERAL é uma canção de Gilberto Gil com letra genial de Torquato Neto. Gravada no antológico álbum de 1968, “Tropicália ou Panis Et Circensis”, é considerada uma canção-manifesto do Movimento Tropicalista.
Lembrar, em 2026, da importância do poeta Torquato Neto é fundamental. A Geleia Geral dos dias de agora é -infelizmente! – mais atual ainda do que naquele incendiário e transformador 1968.
Tire um tempinho e leia a sugestão de reportagem no link que ofereço aí abaixo. E ouça muitas vezes a gravação de Gilberto Gil.
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*”História da música “Geleia Geral”, de Torquato Neto – Novabrasil” https://novabrasilfm.com.br/musica/historia-da-musica-geleia-geral-de-torquato-neto
Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador, apaixonado pela obra de Torquato Neto no centro cósmico da geleia geral brasileira/mundo multimodal. Vive na Guarda do Embaú, pequena vila de pescadores no litoral de SC.