Caminhos permitidos
O preço de sermos honestas conosco mesmas…
Publicado
em
Vivemos em uma sociedade onde as regras nos conduzem pelos caminhos permitidos… não podemos nos desviar do roteiro que nos foi entregue, sob pena de sermos apedrejadas por não cumprirmos nossa parte nesse grande teatro que é a vida. Estamos sempre representando algum papel a nós imposto. O engraçado é que, algumas vezes, até por questão de sobrevivência, encarnamos de tal forma o personagem que nos cabe que passamos a acreditar que realmente aquela encenação é a nossa verdadeira personalidade…
Para nos defendermos de nossa verdadeira psique acabamos por criar escudos que nos isolarão de nossa verdadeira natureza. E tudo aquilo que remotamente nos lembrar quem realmente somos em nosso âmago nos causará repulsa e nosso primeiro impulso será destruir o espelho, para que não vejamos nosso reflexo neste… pois a imagem ali refletida com certeza não irá corresponder àquilo que esperam de nós…
A violência gratuita tão presente em nosso dia a dia é exatamente isso… a negação de nossa realidade particular. Simplesmente não conseguimos nos ver como somos realmente, despidas de todas as camadas sociais com as quais disfarçamos nossa verdadeira essência. Vivemos em um mundo de fantasia, tentando corresponder ao papel a nós imposto. E isso nos causa sofrimento…
A negação de nossa verdadeira essência nos faz procurar meios de compensação. E muitas vezes acabamos por optar por formas nada gentis para desviar nossa atenção daquilo que realmente desejamos. Quanto mais reprimimos nossa essência, mais violenta será nossa reação instintiva… porque nosso verdadeiro “eu”, sufocado pelas normas que não nos deixa aflorar, irá se rebelar de todas as formas possíveis, tentando se afirmar perante o mundo que simplesmente não o aceita…
Sim… a frustração que sentimos ao final do dia tem menos a ver com a não realização de alguma tarefa a nós imposta que a nossa luta interna de autoafirmação. Muitas vezes nos sabotamos, pois estamos procurando novas vias de acesso à vida que realmente desejamos levar. E o fato de não conseguirmos visualizar um caminho que possa nos conduzir ao destino sonhado, nos faz entrar em depressão… e esta tem várias formas de se apresentar… a mais comum, embora não reconhecida como tal, é sem dúvida a violência contra nosso objeto de desejo…
Lembre-se… uma pessoa que lança mão da força para atingir seus objetivos não é uma pessoa feliz. Não vive em paz consigo mesma. Está sempre desconfiada de todos ao seu redor… e por que isso? Simples… ela está perdida em seu mundo particular, pois não consegue viver sua real essência. o que vemos é uma personagem… a única que esta conseguiu deixar se mostrar…
Claro, a sociedade não vê com bons olhos algumas atitudes dessa personagem, mas provavelmente… e é isso o que a pessoa pensa… se seu verdadeiro “eu” pudesse se manifestar, a rejeição seria muito maior. Então, melhor ser temido e odiado que simplesmente rejeitado como um pária na vida…
Por mais que pareça não fazer sentido, se as pessoas pudessem externar sua verdadeira essência nesse plano, o mundo seria melhor. Porque não haveria mais atos de violência contra ninguém. Não haveria motivos para se patrulhar os vários grupos sociais espalhados por esse plano, não haveria sentido em controlar a forma das pessoas viver. Na verdade, não há. Mas o fato de aprendermos desde o berço que existe uma maneira certa e outra errada de viver nos faz fiscais da vida alheia, tentando corrigir todos aqueles que ousam quebrar as regras a todos impostas…
No dia em que conseguirmos finalmente nos livrar dessas amarras que apenas nos dividem em opressores e oprimidos, sendo que desempenhamos os dois papeis, cada um em seu momento específico, viveremos em paz com nossos semelhantes e com nossa própria essência… é quando finalmente alcançaremos o tão sonhado Nirvana…