Entre o fiscal e o social
O preparo de Fernando Haddad para conduzir o Brasil em tempos complexos
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Fernando Haddad é, sem exagero, uma das mentes mais brilhantes do governo e talvez uma das mais preparadas do Brasil quando o assunto é economia, planejamento e formulação de políticas públicas. Sua capacidade técnica é reconhecida até por adversários. No entanto, inteligência e timing político nem sempre caminham juntos. Com frequência, Haddad toma decisões que podem até fazer sentido do ponto de vista fiscal, mas que se mostram equivocadas quanto ao momento escolhido para implementá-las.
O recente recuo do governo em relação ao aumento do imposto de importação para produtos de informática e telecomunicações é um exemplo claro disso. Após forte pressão nas redes sociais e reação negativa de consumidores, empresas e setores da tecnologia, o governo decidiu revogar a medida. A proposta tinha justificativas econômicas, como estimular a indústria nacional, mas ignorou o ambiente político.
Ano eleitoral não é um bom momento para se aumentar impostos. Independentemente da qualidade técnica da medida, a percepção pública pesa. Em períodos assim, qualquer sinal de aumento de carga tributária se transforma rapidamente em desgaste político. Governar exige mais do que boas ideias: exige sensibilidade ao tempo, ao contexto e à temperatura da opinião pública. Inteligência é fundamental, mas política exige saber a hora certa de agir.