Curta nossa página


Escutar

O privilégio de ser ouvido

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Há pessoas que falam muito e são pouco ouvidas.

E há pessoas que quase não falam porque aprenderam, ao longo da vida, que ninguém escutaria.

Escutar é uma experiência política.

Porque quem é ouvido ocupa espaço.

Quem é ignorado desaparece.

Talvez por isso a escuta seja mais importante do que parece.

Na família.

Na escola.

No trabalho.

Na política.

Nas amizades.

Em todos esses espaços existem pessoas cuja fala vale mais do que a de outras.

Algumas entram em uma sala e todos param para ouvir.

Outras precisam repetir três vezes a mesma frase.

Não é apenas personalidade.

É estrutura.

É autoridade.

É posição social.

É reconhecimento.

É poder.

Mas existe uma dimensão mais íntima da escuta.

Aquela em que alguém fala e nós não estamos imediatamente preparando a resposta.

Não estamos comparando.

Não estamos julgando.

Apenas ouvimos.

É raro.

Talvez por isso seja tão precioso.

Às vezes uma pessoa não precisa que resolvamos sua vida.

Precisa apenas que alguém reconheça que aquilo que está vivendo existe.

Não parece muito.

Mas pode ser.

Porque ser ouvido é, em alguma medida, ser reconhecido como alguém cuja experiência importa.

E talvez uma sociedade mais humana comece justamente por aí: aprendendo a ouvir aqueles que normalmente são obrigados a gritar para serem percebidos.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.