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Marina Dutra

O que me ofende revela mais sobre mim ou sobre o outro?

Publicado

Autor/Imagem:
Marina Dutra - Texto e Foto

Nem toda crítica é verdadeira. Mas toda reação intensa merece atenção.

Nos últimos dias, uma cena viralizou nas redes sociais. Uma pergunta feita em público num evento gerou desconforto, uma resposta defensiva e uma enxurrada de opiniões. Em pouco tempo, a internet fez o que costuma fazer: dividiu as pessoas entre quem estava certo e quem estava errado.

Mas existe uma reflexão mais interessante do que escolher lados.

O que acontece dentro de nós quando uma pergunta, uma crítica ou uma opinião nos atinge profundamente?

Segundo pesquisas na área da neurociência, nosso cérebro interpreta rejeições, críticas e julgamentos sociais de forma semelhante às ameaças físicas. Por isso, muitas vezes reagimos antes mesmo de refletir. Mas será que aquilo que nos incomoda vem apenas do outro ou também fala sobre algo que carregamos dentro de nós?

A verdade é que ninguém consegue apertar um botão que não existe.

Isso NÃO significa que toda crítica seja verdadeira. Nem que devemos aceitar opiniões injustas ou ataques disfarçados de sinceridade. Significa apenas que, quando uma fala nos afeta de maneira intensa, existe uma oportunidade valiosa de autoconhecimento.

Pessoas emocionalmente maduras aprendem a fazer uma pergunta simples diante do desconforto: “Por que isso mexeu tanto comigo?”

Essa pergunta tem o poder de mudar completamente a forma como enxergamos nossas relações.

Muitas vezes não reagimos ao que foi dito hoje. Reagimos ao que aquilo desperta. Uma observação pode tocar a sensação de não ser bom o suficiente. Uma crítica pode despertar antigas feridas de rejeição. Uma pergunta aparentemente inocente pode encontrar uma insegurança que passamos anos tentando esconder, inclusive de nós mesmos.

Sob o olhar terapêutico, essas reações costumam ter raízes profundas. Muitas delas começam na infância, quando aprendemos que precisávamos corresponder a expectativas para sermos aceitos, amados ou reconhecidos. Aos poucos, criamos mecanismos de proteção. O problema é que aquilo que um dia serviu para nos proteger pode continuar comandando nossa vida mesmo quando já não faz sentido.

É por isso que algumas pessoas se defendem o tempo todo. Não porque sejam fracas, mas porque estão cansadas de carregar dores que nunca foram verdadeiramente acolhidas.

Nesse sentido, o outro funciona como um espelho. Não porque ele revele exatamente quem somos, mas porque mostra onde ainda existem partes nossas pedindo atenção, compreensão e cura.

As relações humanas são grandes professoras. Elas revelam nossas qualidades, mas também iluminam nossas fragilidades. E quanto mais consciência desenvolvemos, menos necessidade sentimos de provar nosso valor ou de vencer todas as discussões.

Uma prática simples pode ajudar. Da próxima vez que algo o incomodar profundamente, faça uma pausa e pergunte a si mesmo: “O que exatamente me feriu?”, “O que essa situação me faz sentir?” e “Essa dor pertence apenas ao presente ou tem raízes mais antigas?”.

Nem sempre encontraremos as respostas sozinhos. Muitas vezes, sair do modo sobrevivência exige ajuda, acolhimento e um olhar especializado capaz de enxergar aquilo que ficou escondido sob camadas de proteção construídas ao longo da vida.

Nem tudo o que o outro diz merece ser absorvido.

Mas tudo o que nos afeta merece ser observado.

Porque a verdadeira liberdade emocional não nasce quando controlamos o que os outros pensam sobre nós. Ela começa quando compreendemos por que determinadas palavras ainda possuem tanto poder sobre nossas emoções.

E você? Qual foi a última situação que o incomodou profundamente e o que ela pode estar tentando revelar sobre você?

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Acompanhe “Café com Consciência”, toda segunda, às 7h30, no Instagram @sersuperconsciente.
Marina Dutra
Terapeuta Integrativa

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