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Não sou os olhos a ver

O que realmente é

Publicado

Autor/Imagem:
Luiz Martins da Silva - Texto e Aquarela

Não são os olhos a ver,

A boca nem sabe falar.

Não deixe os pés a sós,

De ir não lidam saudade.

Sabor, sim, doce perfil

Das almas no vasto enlevo.

O mundo, trevo de travo,

Se lábio fronteira de beijo.

Não sói maldizer a morte,

Montaria dos instantes.

Somos dela, sempre fomos,

Na fome do eternamente.

Segredos do renascer

Recolhemos no olvido.

Mas, memória de coração

Não é um músculo no altar.

Acaso, ao rio, o silêncio

Ouvir o que podes dizer:

‘Estamos aqui, tu e eu.

Num sopé de serra a dormir’.

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