Escrever
O rapaz
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O rapaz chegou e me disse:
-Mestre, como eu escrevo?
Ouvi e depois disse:
-Primeiro, eu não mestre e segundo: como você escreve eu lhe digo que não sei. Ninguém saberá. Só você.
Ele me deu um olhar de amor e disse:
-Você escreve o que eu queria escrever.
Fiquei uns minutos quieto e depois lhe disse:
-Amigo, escreva o que quiser. Não como eu, pois eu não sou você.
-Mas eu quero escrever como você escreve.
-Não, cara, escreva o que você sente e escreve.
Quinze anos depois, aquele menino me trouxe u texto que me deixou abobado.
-Lembra?
-Lembro, sim.
Obrigado, carinha.
Leiam o texto dele:
“Andávamos por aí, tão só e descobrimos paixões pelas palavras e poemas. Obrigado pelo esforço e apoio. Hoje eu escrevo as minhas ideias.”
Naquela noite fui dormir em paz.
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Gilberto Motta, um professor em paz. Vive na Guarda do Embaú SC.