Fúria contida
O silêncio grita
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O silêncio grita. Cada respiração parece mais pesada do que deveria, e o chão parece se mover sob meus pés, embora eu continue andando. Tento me distrair, me enganar, mas tudo retorna: o peso, a raiva, a tristeza, a saudade e a impotência. Há uma fúria contida, contra o mundo que insiste em ser injusto, contra os absurdos que me cercam e contra a própria dor que insiste em morar em mim.
Às vezes, sinto que estou à margem de mim mesma, observando minhas próprias emoções como espectadora de um filme cruel. Há uma vontade de quebrar tudo, de gritar até que as paredes se curvem, até que a dor se esgote. Mas não há lugar seguro para isso, não há ouvido atento, não há espaço. Só este peso, silencioso e incansável, queimando devagar.
E então me percebo cansada, cansada de fingir, de sorrir, de tentar existir nesse mundo que parece girar rápido demais para quem sente demais. Há uma tempestade em mim que ninguém vê, que ninguém sente, e talvez isso seja o mais cruel: carregar a própria fúria e tristeza como quem carrega um gatilho silencioso, pronto para disparar contra o vazio.
É desabafar sem dizer é gritar sem voz, é existir de maneira intensa e dolorosa, mesmo quando ninguém percebe.