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Misoginia política

O zagueiro de direita que detesta as mulheres

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

O ditado em boca fechada não entra mosca está cada vez mais enraizado no quintal da família Bolsonaro. Não à toa Donald Trump, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro têm sido coroados como membros de peso da linha de frente da campanha de Luiz Inácio à Presidência da República. Incluindo o que eles entendem como negativo, tudo que dizem converge para facilitar a caminhada do líder do petismo à sua quarta encarnação no Palácio do Planalto.

O novo zagueiro a se apresentar ao grupo que apoia a seleção lulista atende pelo nome de Paulo Figueiredo. Apresentado como influenciador e patriota fajuto, o neto do general João Batista Figueiredo não passa de um pseudo formador de desinformados. Na última bola espirrada dentro da área bolsonarista, o desertor homiziado nos Estados Unidos aderiu aos ataques de Flávio 01 à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Aproveitando o gancho do amiguinho, Figueiredo usou seu canal no YouTube para esculhambar as mulheres.

Depois de dizer que as mulheres solteiras votam estatisticamente mal, o mancebo sem nexo atingiu a mandíbula de Michelle ao afirmar que a “mulher não tem equilíbrio emocional para atuar na política. Será que ele tem? Com certeza, ele não parece ser do ramo, ou seja, não gosta da fruta. O resultado fala por si. Conforme análise de uma agência de inteligência digital, das quase 43,5 mil postagens analisadas, 90% repudiaram o blá blá blá do camarada antipatriota. Somente 2% o apoiaram.

Grosseiro, racista, machista, homofóbico e, sobretudo, misógino, Paulo Figueiredo tem a quem puxar. Ele esqueceu ou não deve ter sido informado a tempo que as mulheres são maioria no eleitorado brasileiro. Além disso, elas sabem o que dizem, o que falam e como votam. Como vive em um mundinho idiotizado pela própria limitação, o amigo do clã Bolsonaro só percebeu a burrada após ter sido chamado às falas pelo candidato da extrema-direita à Presidência.

Tarde demais, pois as declarações foram processadas, mastigadas e regurgitadas bem antes do pito de 01. Não necessariamente em apoio a Michelle Bolsonaro, mas o repúdio a ambos foi generalizado. Em outras palavras, o estrago está feito. A análise não mostra, mas ficou claro que, por razões diversas, tanto Flávio quanto Figueiredo são inimigos das mulheres. Por essa e outras, acho difícil, quase absurdo, imaginar uma mulher votando na extrema-direita.

Como mulher, eleitora e, principalmente, estudiosa da política dos direitos fundamentais das mulheres, o que posso dizer ao dito cujo é que uma mulher determinada não tem limites. Também diria ao fugitivo da Justiça brasileira que a mudança se inicia quando começamos a ocupar espaços de poder. Fazendo minhas as palavras de Simone de Beauvoir, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância. Quanto a Paulo Figueiredo, Xô Satanás!

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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