Direita indefinida
Ocupado com maioria na Câmara, Trump deixará Brasil livre para o Lula 4
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Depois da ardilosa invasão à Venezuela, do tesão recolhido pela Groelândia, dos suspiros contra a colômbia e do sonho incubado de tomar Cuba, o furor de Donald Trump, o novo dono do mundo, por novas ocupações dos Estados Unidos no lado pobre das Américas, incluindo eventuais interferências nas eleições presidenciais do Brasil, deve ficar para depois. Sinônimo de mais tarde ou nunca mais, o depois quer dizer eleições para renovação do dividido e poderoso Congresso dos EUA.
Dividido, mas bem mais sério do que as duas casas do nosso Legislativo, nas quais, se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, nenhum dos 584 “representantes” do povo se cumprimentava. Detalhes irrelevantes diante das oito eleições gerais, regionais e parlamentares que devem moldar a política mundial em 2026. Além dos EUA, ocorrerão eleições presidenciais na Hungria, no Brasil, em Israel, Peru, Colômbia e Bangladesh, além das estaduais na Alemanha (estaduais).
Obviamente que a principal delas é o pleito legislativo norte-americano, marcado para 3 de novembro, uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. Na América do Sul, os pais de santo prometem se unir contra o caboclo republicano. Ciente disso, com a popularidade em baixa e a inflação local em alta, Trump terá de trabalhar duro para evitar que os democratas conquistem a maioria na Câmara e acabem com seu mandato maquiavélico. Dos 435 assentos da Câmara de Representação, a oposição ao presidente republicano precisa somente de mais três cadeiras para obrigar o moço do topete amarelo a dançar conforme o novo ritmo.
Considerando que, historicamente, o partido do presidente perde cadeiras após sua vitória, Donald Trump precisa aprender rapidamente o passinho dos descolados, sob pena de perder de vez o rebolado que começou a aprender com o ditador Nicolás Maduro. Com a maioria, os legisladores da Câmara terão o poder de bloquear efetivamente a agenda política de Trump e até requerer o impeachment do líder republicano. Das oito eleições presidenciais deste ano, o mandatário brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e seus colegas Benjamin Netanyahu (Israel) e Viktor Orban (Hungria) tentarão manter nas urnas uma questionável longevidade política.
A necessidade de ganhar votos nos 50 estados americanos deve dificultar o presidente dos EUA na tarefa de impedir os votos que provavelmente garantirão a quarta eleição de Lula e as eventuais derrotas de Netanyahu e Orban. Por enquanto, Luiz Inácio não tem adversário sacramentado. Embora com números positivos bem abaixo dos recordes registrados no fim dos anos 2000, Lula aparece em todas as pesquisas eleitorais como o candidato com maiores chances de vencer tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Com Jair Bolsonaro recolhido às quatro linhas prisionais após a condenação por tentativa de golpe, a direita brasileira continua indefinida entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Messias. Com Trump internamente enrolado até o último fio de cabelo e Bolsonaro preso, resta à direita bater tambor três vezes ao dia para tentar frear os rodopios da entidade que embala Luiz Inácio rumo ao Lula 4.
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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais