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Magia egípcia

Olho de Hórus, símbolo de proteção e poder

Publicado

Autor/Imagem:
Giovanni Seabra - Foto Editoria de Artes/IA

O Olho de Hórus, também conhecido como Wadjet, figura entre os símbolos mais estudados da egiptologia e da história das religiões. Mais do que um amuleto, ele representa um complexo sistema de ideias que articula mitologia, matemática, medicina, espiritualidade e cosmologia. Seu uso é atestado desde o Antigo Império (2.686–2.181 a.C.), aparecendo em tumbas, sarcófagos, murais, colunas dos templos, e papiros rituais. Para os egípcios, não se trata apenas de um ornamento, mas de um instrumento mágico-religioso de poder inestimável.

Na mitologia egípcia, narrada nos “Textos das Pirâmides” e nos “Textos dos Sarcófago”, o Olho de Hórus tem sua origem no conflito entre o deus Hórus e seu tio Seth. Durante a batalha pelo trono do Egito, Hórus perde um dos olhos, que é posteriormente restaurado pelo deus Thoth, senhor da sabedoria, da escrita e da magia. Esse processo de perda e restauração transformou o Olho em símbolo de regeneração, equilíbrio e vitória da ordem sobre o caos, conceito central da noção egípcia de Ma’at, a ordem cósmica.

Do ponto de vista simbólico, o Olho de Hórus representa a visão que transcende o mundo material. Ele não observa apenas o exterior, mas também o interior do ser humano, trazendo à luz os mais profundos níveis da consciência. Por isso, é associado à saúde física, à proteção espiritual e à capacidade de perceber ameaças invisíveis.

No campo ritual, o Olho de Hórus é utilizado como amuleto protetor, especialmente em contextos funerários. Múmias eram adornadas com o símbolo para garantir proteção na travessia para o além e assegurar a integridade da alma no julgamento pós-morte. Acreditava-se que o Wadjet mantinha afastadas forças malignas e entidades desarmônicas.

Estudiosos destacam ainda que cada parte gráfica do Olho de Hórus corresponde a frações matemáticas usadas pelos egípcios, associadas aos sentidos humanos: visão, audição, olfato, paladar, tato e pensamento. Essa leitura revela o Olho como um mapa simbólico da percepção integral do ser, unindo corpo, mente e espírito.

No campo funerário, o Wadjet exercia função essencial no Egito antigo. Amuletos do Olho de Hórus eram colocados sobre incisões feitas durante a mumificação, com a finalidade de selar energeticamente o corpo e garantir proteção no além. O Livro dos Mortos menciona explicitamente o Olho de Hórus como instrumento de defesa espiritual contra forças caóticas.

Do ponto de vista iconográfico, o Olho de Hórus possui múltiplas representações. A forma mais conhecida apresenta sobrancelha, pupila, marca lacrimal e linhas curvas, mas ele também aparece associados ao Deus Rá, e ao Deus Thoth, representando poder ativo, vigilância e ciclos de regeneração. Na tradição egípcia, o Olho de Hórus é também encontrado nas proas dos barcos para proteção nas viagens.

Na contemporaneidade, o Olho de Hórus continua presente em práticas espirituais, meditações e estudos esotéricos. Ao ser usado conscientemente, a figura mítica funciona como arquétipo de proteção psíquica, fortalecimento da intuição e alinhamento energético. Sua força reside tanto na tradição ancestral quanto no poder simbólico que ativa processos internos de autoconhecimento.
Mais do que um símbolo do passado, o Olho de Hórus permanece vigilante na atualidade, ao alertar que ver é também compreender, curar e despertar.

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Giovanni Seabra
Grão-mestre do Colégio dos Magos e Sacerdotisas
@giovanniseabra.esotérico
@colegiodosmagosesacerdotisas

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