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Loucos pelo poder

Oposição usa Rivotril para conter alucinações

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

O cenário político-partidário não é nada favorável à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Filho mais velho do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Flávio certamente tem perdido o sono com as informações recebidas de seu staff acerca dos números eleitorais. Como diz o ditado, nada é tão ruim que não possa piorar. A inclusão de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) na corrida presidencial provavelmente aumentou o consumo diário de Rivotril no seio do clã Bolsonaro. O estoque já começou a ser feito para o dia 4 de outubro, day after da eleição presidencial.

Afinal, além dos votos estarem minguando, estão sumindo os antes fidelíssimos aliados da direita menos conservadora, menos raivosa e mais brasileira. Levados pelas constantes crises internas na campanha de Flávio Bolsonaro, também embarcaram no voo cego de Caiado e de Zema ou optaram pela pseuda neutralidade o MDB, o União Brasil, o PP, o Podemos e o Republicanos. Com a casa pegando fogo, nada mais natural para legendas acostumadas somente com o bônus que o abandono anunciado.

Voaram e só retornarão ao ninho no caso de vitória do bolsonarismo. Como a derrota é muito mais do que apenas provável, o poleiro será fora da curva, logo ali à esquerda da Esplanada dos Ministérios. É assim que o trem apita na encardida, amoral antiética política brasileira. Tudo que interessa às excelências que dominam os partidos é o poder. Por isso, com a possibilidade real de enxugamento do PL, não será surpresa alguma se, após o resultado das eleições, Valdemar Costa Neto aparecer com novidades em sua deslizante e emporcalhada trajetória como comandante de sigla partidária.

Co-proprietário do PL, legenda que divide com o clã Bolsonaro, Valdemar topará qualquer parada para não perder o poder sobre os quase R$ 900 milhões do Fundo Partidário. Para ilustrar, Valdemar é um dos políticos que mais gostam de grosseiramente adjetivar Lula da Silva. Logo ele, cuja verdadeira talvez coubesse em dois ou três compêndios policiais. Resta a Flávio Bolsonaro, engolir Costa Neto e seus aliados raiz produzindo mentiras absurdas contra eles mesmos.

Grosseiros, desrespeitosos, com propostas cada vez mais coerentes com o passado político do bolsonarismo e à beira do abismo, o grupo que não larga a aba do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a sustentar o insustentável: o descrédito ao sistema eletrônico de votação. Como um jato de spray de pimenta nos olhos do candidato do PL, o Itamaraty vetou a entrada no Brasil de dois “técnicos” norte-americanos, os quais “visitariam” o Brasil para, a pedido do clã e do comando da campanha da extrema-direita, preparar relatórios contra a confiabilidade da urna eletrônica e, consequentemente, gerar dúvidas a respeito das máquinas de votar.

Considerando que é um direito do governo brasileiro impedir a chegada de quem venha para dividir, pelo menos temporariamente foi contida a clara, sorrateira e criminosa intenção de interferir nas eleições presidenciais do Brasil. A eleição no Brasil só diz respeito aos brasileiros. Refém da discurseira sem nexo do pai, Flávio Bolsonaro agora reassume as dúvidas paternas em relação às urnas. Eu, quando tenho dúvida, recuo, não faço nada, espero dias melhores ou esqueço o que pensei fazer ou dizer. Se o filho 01 de Jair Bolsonaro ainda não aprendeu a perder e, por antecipação, busca respostas imbecilizadas para a derrota, por que insistir na candidatura?

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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