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Novos desinteligentes

País sério rejeita os que já foram e não souberam dizer a que vieram

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Entre inteligentes, safos, honestos, desonestos, corruptos, incorruptíveis, tiranos, estultos, reis, rainhas, súditos, lordes, solidários e medíocres e patéticos, o mundo tem hoje mais de 7 bilhões de pessoas. Não importa onde elas estejam e nem que nação habitam. São seres humanos brancos, negros, amarelos, cafuzos, caboclos, ricos, pobres, machistas, racistas, misóginos e homofóbicos. Com pouco mais de 213 milhões de nativos, o Brasil tem algumas peculiaridades que soam mal aos olhos do restante do Planeta. Somos recheados de maravilhas naturais, não temos maremotos, terremotos, tufões, vulcões, tsunamis e afins.

No entanto, no meio da multidão de brasileiros do bem e da paz, temos algo que a Terra desconhecia até 2018: os bolsonaristas. Não tenho ideia de quantos eles ainda são. O que sei é que são chatos, intolerantes, ameaçadores e civilizados por meio de ensinamentos retrógrados, rocambolescamente conservadores e pirotecnicamente bolsonarizados por um mito nascido e desaparecido nas trilhas empoeiradas do Cerrado. Ou seja, surgiu do pó e ao pó voltou bem antes do que imaginava. Quanto a seus seguidores, é justo afirmar que Jair Messias os catequizou e, pelo menos, os ajudou nos primeiros passos da tirania.

Sem exceção, todos que hoje rezam na cartilha do ódio já nasceram em berços diabólicos. Falam de Deus e defendem a família como condenam seus desafetos à morte por inanição ou sede. Nunca souberam o que é servir, mas adoram se servir, principalmente da viúva que eles entendem como Casa de Mãe Joana. Difícil imaginar onde cabem tantas pessoas. Todavia, tenho certeza de que é na extrema-direita do Brasil onde está concentrado o maior quantitativo de novos desinteligentes por metro quadrado. Falsificar um simplório atestado de vacina pode ser irrelevante para aqueles que adoram ser reconhecidos como ingênuos e, às vezes, ignorantes.

Não para mim ou para aqueles que sobreviveram à pandemia que o mito avaliou como uma “gripezinha” sem importância. Foi um crime, principalmente se praticado por quem tinha obrigação de dar o exemplo. São esses cidadãos que nos obrigam a aceitar como normal a nítida intervenção externa em nossa política interna. Pior é, à luz do dia, tentar negociar a soberania brasileira. Perdoem-me a sinceridade, mas como me sentir plenamente feliz diante de tantas explicações estapafúrdias para coisas iguais ou parecidas? Por exemplo, adoram chamar Lula de ladrão, mas não admitem as raspadinhas, mansões de R$ 6 milhões, cartões corporativos estourados e joias reais confundidas com pessoais. Coisas do País Tropical.

Tardiamente, o Brasil que quer ser sério e o mundo ordeiro descobriram que Jair Messias governou o país por quatro anos sob efeito de morfina. Pelo menos conseguimos uma razão lógica para tanta besteira junta. Nada de anormal para os que já foram, não são e não serão mais porque nunca souberam ser. Está claro que a morfina, surto psicótico e esquizofrenia se transformaram em álibis para feminicídios, matricídios, parricídios e governos horripilantes como foi o do Jair. Por isso, às vezes prefiro me calar e deixar que as pessoas pensem que sou mesmo um idiota. É melhor do que falar e acabar com a dúvida. Em verdade, adoro pessoas inteligentes que se fazem de idiotas para fazer de idiota as pessoas que se acham inteligentes.

Foi o que fiz dia desses ao ignorar a provocação de um senhor da terceira idade na Praia de Copacabana. A cena realmente foi dantesca, quase animalesca, mas muito comum entre os que se acham acima do bem e do mal. O cidadão reclamou para mim de um rapaz que entrou no mar com um cachorro de grande porte. Em vez de cobrar o malfeito do malfeitor, o tipo milicão se dirigiu a mim afirmando que, após a eleição de Lula, tudo é permitido no Brasil. Respeitosamente, respondi entre os dentes que, tivesse Bolsonaro se reeleito presidente, somente os estrelados estariam se banhando na ex-Princesinha do Mar. O destino dos soldados, cabos e sargentos seria a Praia de Maria Angu. Para nossa sorte, Xandão dorme sempre com um olho aberto.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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