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Filosofia

Para jamais esquecer Benjamin!

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e foto

“Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe!”
(Walter Benjamin, filósofo alemão, *1892-+1940)

Na crônica de hoje, uma pequena homenagem a um dos pensadores mais significativos do Século XX: Walter Benjamin. Obra articulada com filosofia, histórias e as artes em geral. Deixou pesquisas e textos de valor inestimável e marcados pelas profundas transformações vividas na primeira metade do século passado. Ele viveu, na Europa, no “olho do furacão”, durante o período trágico e efervescente da Primeira e a Segunda Guerra.

Wlater Benjamin foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão. Nascido em Berlim, em 15 de julho de 1892, Walter Benjamin morreu em Portbou, na França, no final de setembro de 1940.

Ele tentava passar para a Espanha e chegar a Portugal, mas uma fiscalização na fronteira o obrigou a retornar ao país ocupado.

Diante da perspectiva de cair nas mãos dos nazistas ou de colaboradores, ele tirou a própria vida.

PENSADOR E FAROL VISIONÁRIO

Benjamin assumiu que um intelectual não pode limitar-se a opinar de uma torre de marfim, mas deve transformar as próprias estruturas da cultura, convertendo-a em uma ferramenta de agitação coletiva e de conscientização.

Talvez não haja palavras mais claras do que aquelas que Bertolt Brecht lhe dedicou:

“Antecipando-se aos algozes, você ergueu a mão contra si mesmo, cruzando aquela fronteira da qual não se retorna. Assim, o futuro está envolto em trevas, e as forças do bem, enfraquecidas. Você via tudo isso quando destruiu o corpo destinado à tortura e ao nada…”

Nascido em Berlim, em 15 de julho de 1892, Walter Benjamin morreu em Portbou, na França, no final de setembro de 1940.

Ele tentava passar para a Espanha e chegar a Portugal, mas uma fiscalização na fronteira o obrigou a retornar ao país ocupado.

Diante da perspectiva de cair nas mãos dos nazistas ou de colaboradores, ele tirou a própria vida.

Foi uma decisão talvez mais explicável do que a de Stefan Zweig, que cometeu suicídio ao lado de sua esposa já na América do Sul, fora do alcance de seus perseguidores.

Pouco antes, ele havia confiado suas famosas teses — *Sobre o Conceito de História* — a Hannah Arendt para que as guardasse em segurança.

Ele compartilhava uma profunda amizade com ela; ambos eram refugiados do nazismo na França da década de 1930, onde passavam longos dias debatendo política e jogando partidas de xadrez apaixonadas.

Na famosa mala que carregava ao atravessar os Pirineus, ele levava alguns dos sonhos do pensamento utópico e à frente de seu tempo de um autor essencial e ainda relevante — um narrador excepcional, incisivo e crítico.

Associado “rebelde” da Escola de Frankfurt e amigo próximo de Theodor Adorno, sua obra transcende o próprio homem, exercendo uma profunda influência em grande parte da teoria crítica do século XX.

Em seu pensamento, as perguntas são fundamentais para a busca de uma explicação — uma tentativa de compreender o mundo e questionar a própria existência e o lugar dentro dele.

Suas teorias sobre história e tempo — que se provam inseparáveis — moldaram a forma como o vemos hoje: como uma figura singular e tensa, definida por uma dialética que encapsula, em sua própria particularidade, o segredo trágico e universal de sua época.

Walter Benjamin é, sem dúvida, um dos grandes filósofos que desafiaram a arquitetura da narrativa oficial da história e do progresso. Essa epifania lhe ocorreu após se deparar com *Angelus Novus*, uma obra de Paul Klee que ele adquiriu e manteve consigo durante todo o seu exílio.

Em seu ensaio filosófico seminal, *Sobre o Conceito de História* (Tese IX), Benjamin transforma a figura pintada por Klee em uma metáfora para o progresso e a catástrofe.

Na pintura, um anjo olha para trás com medo, mas suas asas estão abertas como se estivesse se movendo para a frente. Benjamin interpreta esse “Anjo da História” como alguém que olha para o passado e vê um mundo devastado pelo furacão do progresso — uma força que, paradoxalmente, “o impulsiona irresistivelmente para o futuro”.

A tempestade impele irresistivelmente o anjo para trás, em direção ao futuro — incapaz de dobrar as asas —, enquanto as ruínas se acumulam em direção ao céu.

Seus escritos sobre arte, política, história e filosofia são como galhos que geram outros galhos — carregados de folhagem abundante —, todos conectados àquela árvore imaginária conhecida como Cultura.

Vistos sob a ótica do materialismo dialético, são, contudo, impulsionados pela esperança de vislumbrar possíveis saídas, caminhos dissidentes e portas que — por mais distantes que estejam — parecem abertas; tudo isso em busca de uma liberdade individual que transforma o Homem em um verdadeiro ser humano…

“Marx disse que as revoluções são a locomotiva da história mundial. Mas talvez, hoje, a situação seja completamente diferente. Talvez as revoluções sejam o momento em que a humanidade — viajando a bordo desse trem — percebe que é hora de puxar o freio de emergência…”

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Gilberto Motta é escritor, jornalista e pesquisador que desde a adolescência caminha pelas ruas, praças e calçadões/boulevards, observando como um “flaner” a vida em momento, como sacou Benjamin. Vive na vila da Guarda do Embaú, litoral de SC.

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