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Brasil

Paraisópolis, celeiro de pobreza, controla Covid

Bruno Bocchini

Levantamento do Instituto Pólis mostra que, em territórios precários na cidade de São Paulo com organização comunitária estruturada, o controle da covid-19 está sendo mais efetivo em comparação com a média municipal. Esse é o caso de Paraisópolis, uma das maiores favelas brasileiras, que conta com mais de 70 mil habitantes.

Segundo o instituto, em 18 de maio de 2020, a taxa de mortalidade na favela por covid-19 era de 21,7 pessoas por 100 mil habitantes. O índice está abaixo da média municipal (56,2) e de bairros como o Pari (127), o Brás (105,9), Brasilândia (78), e Sapopemba (72).

O percentual de idosos, considerados um dos grupos de risco da doença, é menor em Paraisópolis se comparado com o do município.

“A associação de moradores de Paraisópolis desenvolveu estratégias para suprir a falta de políticas públicas para a comunidade. Primeiramente, foi criado o sistema de presidentes de rua, em que voluntários ficam responsáveis por monitorar famílias para possíveis sintomas do covid-19. Foram cerca de 420 presidentes – cuidando de cerca de 50 casas cada”, informou o instituto no estudo.

Além do monitoramento, os presidentes foram responsáveis por desenvolver atividades de conscientização da população sobre o vírus e contra as fakenews sobre a doença. Eles também arrecadaram e distribuíram cestas básicas e foram capacitados para dar encaminhamento correto aos que apresentaram sintomas.

“O cenário em Paraisópolis deixa claro que iniciativas de atenção básica à saúde e ações voltadas para garantir a segurança alimentar e outras despesas essenciais, com ampla testagem e busca ativa de novos casos e controle dos familiares são eficazes no combate à pandemia em centros urbanos. Assim, teríamos em Paraisópolis um bom exemplo para uma política pública de contenção do vírus que poderia ser replicada, como uma política de estado, em outros territórios vulneráveis”, diz o instituto.

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