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Outros horizontes

Partida silenciosa

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Ele partiu como vento que apaga velas,
fechou o livro da nossa história
e buscou em outros horizontes
a esperança que não sou eu.

Aprendi que não se entrega o universo de uma vez,
que coração e alma são templos sagrados,
não se oferecem ao acaso,
mas florescem quando há reciprocidade.

Descobri que é preciso erguer raízes em si,
para que o afeto seja ponte e não abismo,
para que o amor seja luz e não miragem.

O amor, às vezes, é máscara de instantes,
doce e amargo como fruto proibido,
abre feridas com sua beleza,
fecha cicatrizes com sua ausência.

E no silêncio da partida,
resta apenas a certeza:
mesmo na dor, a alma aprende
a se refazer em aurora.

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