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País sem tutela

Patriotas de fé livrarão o Brasil dos oportunistas

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A 27 dias das eleições presidenciais, sobram discursos fajutos, melindrosos, desconexos e despropositais e faltam propostas capazes de convencer, pelo menos agradar, aos eleitores que ainda não sabem para que lado seguir. Entre esses, há milhões de indecisos à direita e à esquerda e outros milhões à espera do candidato que anunciará de que forma os beneficiará ou a seus familiares. Elite ou falsos emergentes, esses são aqueles que, caso haja racionamento de farinha, que o pirão chegue às suas mesas com prioridade absoluta.

De forma mais didática, essa expressiva parcela do eleitorado nacional vota desde que receba algo em troca. Sobre a população que luta pela sobrevivência, por saúde e educação dignas, por mais empregos e pela segurança que, no mínimo, lhe garanta o ir e vir, os que só pensam em si torcem para que ela, a população mais necessitada, literalmente se exploda. Do lado mais sombrio, aquele cuja cultura golpista não cessa, há a erudição e a vocação para incendiário de autoridades constituídas contra colegas que se perderam na fogueira das vaidades. Tudo sempre em nome do poder a quem os atendeu.

Para sorte do Brasil, ainda há milhares de milhões de eleitores que colocam a pátria e a coletividade acima de seus próprios interesses. Para alegria do povo ordeiro, sério e eficaz, o Brasil ainda é composto por uma maioria esmagadora de patriotas. Infelizmente, eles dividem a nação com compatriotas e com idiotas. A diferença não está somente nas escolhas do presidente dos governadores ou dos parlamentares, mas nas atitudes diante da Pátria Amada. Patriotas de fé são as pessoas que lutam e contribuem para a construção de um país melhor a cada dia. Graças ao Deus de tudo e de todos, eles, os patriotas, ainda livrarão definitivamente a nação do jugo dos oportunistas e dos vendilhões.

Ser patriota não é só vestir a camisa da Seleção Brasil durante a Copa do Mundo. Até estrangeiros usam. Ser patriota é ser solidário, sem egoísmo, sem o desejo de fugir ao primeiro sinal de crise e, principalmente, desprovido da vontade de sempre levar vantagem em tudo. O verdadeiro patriota ama o solo pátrio, sua cultura, sua história e, sobretudo, seus conterrâneos. Parafraseando Rui Barbosa, “os povos emasculados pedem cortesãos; as nações viris querem patriotas, isto é, não vociferados profissionais de sandices pomposas e festejadas, mas homens de fé e mais amigos da verdade do que dos aplausos e galardões”.

É esse o Brasil dos meus sonhos. O Brasil que eu quero não tem preconceito, dá luz para quem quer brilhar e une as pessoas por suas diferenças. Eu não voto em parasitas, em quem faz pouco caso da soberania nacional, luta pela eternização ou pela impunidade, nega a ciência, trabalha para manter a ignorância como comissão de frente da sociedade, não vê crime na corrupção e se esconde quando, temporariamente, o povo deixa de ser eleitor. Também jamais votarei naqueles que tratam o sistema democrático como trataram durante décadas a seca do Nordeste, ou seja, como joguete político.

Acima da defesa desse ou daquele governo, o Brasil que eu quero não tem tutela estrangeira e prima pela defesa do direito do povo em escolher livremente seus governantes. O Brasil que eu não quero é habitado por políticos que se aproveitam do povo, por entreguistas, falsos profetas, mitos de gelatina e excelências vitalícias que, mesmo sem provas contundentes, adoram acusar, mas se derretem quando são acusadas por meio de áudios comprometedores e com muitos decibéis de vantagens pessoais ou institucionais. Por fim, voto naquele que trata e pensa o Brasil como pátria de todos. Fazendo minhas as palavras da brilhante escritora, poetisa e aforista brasileira Martha Medeiros, seria uma indecência se eu votasse pensando em mim.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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