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Temeridade social

Patriotismo de ocasião é quase página virada

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Ou nos associamos em favor da ética, da moralidade e da governança coletiva ou morremos todos à míngua, sem liberdade e cada vez menos sustentáveis. Para quem já viveu e quase experimentou o despotismo em passado bem recente, sabe que a ditadura começa no querer governar as escolhas dos outros. Há os que fingem ter esquecido e há os que jamais esquecerão o falso discurso de salvar o país das mãos de ladrões. Antiga, mentirosa e ultrapassada, esse tipo de lorota só presta para quem deseja se perpetuar no poder.

Nesse passado recente, tivemos um presidente que se imaginou governando o país como se estivesse administrando o quintal de sua casa. Como seu modus operandi é genético, seus descendentes nunca saberão que governar é o ato de contrariar interesses para o bem comum. O contrário é bandalheira, corrupção. Guardadas as devidas proporções e com todas as imagináveis vênias, um louco não deve liderar coisa alguma, pelo mesmo motivo que um bêbado não pode dirigir. É aquela velha máxima de quem não vive para servir não serve para viver.

Forjados nas adversidades e oriundo das bases, os verdadeiros líderes sabem que a voz do povo no Governo Central é a essência da democracia. Por isso, eles promovem políticas mais humanas e eficazes. Embora os brasileiros tenham por costume julgar os governantes apenas pelo que ouvem, o melhor líder ou presidente não é necessariamente aquele que faz as melhores coisas. Como disse Ronald Reagan, ex-presidente norte-americano, ele é aquele que faz com que as pessoas realizem as melhores coisas. Os mais esclarecidos certamente sabem que não há termo de comparação entre o que passou e o que vivemos.

Baseado nessa premissa óbvia, como ser humano com todos os neurônios no lugar, cada vez mais acredito na impossibilidade de um dia o Brasil voltar a ser dirigido de forma unilateral, isto é, sem a necessidade de consenso ou de reciprocidade com a totalidade da população. Considerando que, para muitos brasileiros, patriotismo se limita ao futebol na Copa do Mundo e, mesmo assim, só se o Brasil ganhar, seria uma temeridade social imaginar o país dividido entre patriotas convictos e patriotas de ocasião.

Como morre de medo de um governo que trabalhe efetivamente pela redução da desigualdade, a direita reacionária, radical e conservadora está preocupada com o consistente favoritismo do representante do progressismo. Por essa razão, desde já seus representantes trabalham intensa e incessantemente para esvaziar o discurso agregador e inclusivo da esquerda. Como? Usando os pa$tores evangélicos para convencer os adoradores do falso Messias da necessidade de acabar com o chamado povo do mal.

Para os que se rendem ao ódio e fazem exatamente o contrário dos ensinamentos de Jesus Cristo, a ordem é não medir esforços para reduzir o avanço dos formadores de opinião e alijar da vida pública todos os que se manifestam contra o particularíssimo bordão Deus, Pátria e Família. Mascarados, previsíveis, dissimulados e craques na ocultação de intenções, inclusive as religiosas, eles só não conseguem ocultar as provas que têm produzido contra si mesmos. Em outras palavras, são incapazes de limpar a sujeira que deixam por onde passam.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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