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Capital imaginária

Paulo Octávio assume desafio de apresentar Brasília ao resto do Brasil

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto de Arquivo

O Brasil não conhece Brasília. A frase, dita por Paulo Octávio durante o Plano de Voo 2026, promovido pela Amcham Brasil, não é mero recurso retórico; trata-se de provocação e diagnóstico sobre a necessidade de apresentar a capital da República ao resto do país.

Ao participar do encontro da maior câmara americana fora dos Estados Unidos e da maior associação multissetorial do país, o empresário chamou atenção para algo que Brasília parece carregar desde o nascimento: a imagem de cidade institucional, burocrática, restrita aos corredores do poder. Para ele, essa visão reduzida esconde o verdadeiro potencial econômico e social do Distrito Federal.

No evento, Paulo Octávio foi direto ao ponto: segurança e qualidade de vida são ativos estratégicos de Brasília. Ele lembrou que em um país onde grandes centros enfrentam crises urbanas complexas, a capital ainda preserva condições favoráveis para trabalhar, investir e circular com tranquilidade.

Para analistas da indústria o turismo, a fala do empresário não retrata apenas conforto. O discurso é que tranquilidade urbana significa previsibilidade, e previsibilidade é um dos principais ingredientes para atrair investimentos. Em síntese, respeitada a opinião de Paulo Octávio, empresas buscam ambientes onde seus colaboradores possam viver bem, onde a logística funcione e onde o ambiente institucional dialogue com estabilidade.

Brasília, nesse sentido, carrega vantagens competitivas pouco exploradas. Até porque, a capital não se resume à política. Paulo Octávio lembra, a propósito, que como mais de 90% dos brasileiros nunca visitaram a capital, a cidade ainda é mais imaginada do que conhecida. E o imaginário popular, nesse caso, costuma associá-la apenas ao Congresso, ao Planalto e às disputas políticas.

Mas a cidade, pontua o empresário, vai além do poder. Projetada por Oscar Niemeyer e concebida no plano urbanístico de Lucio Costa, Brasília é patrimônio cultural da humanidade, reconhecida pela UNESCO. É um polo universitário, um centro de serviços sofisticados, uma plataforma diplomática internacional e um mercado consumidor relevante.

No turismo, enfatiza Paulo Octávio, há espaço para crescer muito. O Lago Paranoá, o Eixo Monumental, a arquitetura modernista e a posição estratégica no centro do país poderiam transformar Brasília em hub de eventos, congressos, turismo cívico e cultural. Para ele, ampliar voos e conexões internacionais é parte essencial dessa estratégia. Uma capital federal precisa dialogar com o mundo — não apenas politicamente, mas economicamente.

Uma das vantagens é que Brasília tem localização privilegiada para se consolidar como ponto de conexão nacional e internacional. Melhorar a malha aérea significa facilitar negócios, atrair investidores, impulsionar feiras e fortalecer o turismo corporativo. E num cenário de reconfiguração econômica global, em que cadeias produtivas buscam novos centros e segurança institucional, o Distrito Federal pode se apresentar como alternativa competitiva.

A fala de Paulo Octavio ecoa como convite à mudança de narrativa. Porque Brasília não pode ser vista apenas como palco de crises políticas. Precisa ser apresentada como cidade produtiva, inovadora e com alto padrão de qualidade de vida. Se mais de 90% dos brasileiros ainda não a visitaram, há um mercado inteiro a ser conquistado, e não apenas interno.

Revelar Brasília ao Brasil pode ser, ao mesmo tempo, um projeto de desenvolvimento e de identidade. E, para Paulo Octávio, essa mudança começa por reconhecer que a capital tem muito mais a oferecer do que aquilo que aparece nas manchetes políticas. Talvez o desafio não seja construir uma nova Brasília… mas mostrar a que já existe.

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