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Conexão coletiva

Peça sem ensaio, a vida não precisa ser perfeita para ser incrível

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto Editoria de Imagens/IA

Enquanto houver vida, haverá idade para completar, filhos para criar, familiares para adorar, louça para lavar, música para dançar, remédios para tomar, vizinhos para incomodar, jogos para apostar, eleitor para votar, líder travestido de aventureiro para mandar, políticos para enganar, mentirosos para ludibriar. espertos para afanar, ladrões para roubar, policiais para pagar, juízes para apitar, magistrados para julgar, fome para controlar, empregos para gerar, seres humanos para moldar, gente dispostas a tudo para no poder continuar e homens públicos para expurgar.

Em suma, enquanto houver vida, haverá sempre a possibilidade de recomeçar. Mais do que renovação, o recomeço é a chance que temos de se reinventar, abandonar o passado, seguir com mais leveza e propósito e levar para o futuro somente o aprendizado. Se tudo parecer perdido, mude o caminho e recomece do zero. Como fazem os poetas, siga com medo mesmo, pois toda mudança é um desafio. Triste é desistir do que mais desejamos. Vale a pena lembrar sempre dos ensinamentos de Raul Seixas, levantar a mão sedenta e recomeçar a andar.

Preferencialmente andar sem pisar. Tema recorrente nas histórias de autodescoberta, o tempo de vida não deve ser empecilho para se buscar a liberdade e o autoconhecimento. Desde que se tenha objetivos coletivos, se entregar ao desconhecido simboliza um novo começo e a busca por algo maior. A conexão com os outros deve ser prioridade. Afinal, de que adiantam sonhos tão altos se as opiniões contrárias soam como metáforas inconsequentes e descartáveis. Na música, na poesia, no esporte, no amor e, sobretudo, na política, aproveitemos as oportunidades, mesmo que elas estejam fora de nossa zona de conforto.

Viver é a arte de pintar um quadro com a tinta de cada momento. É mostrar para nós mesmos que a verdadeira felicidade está em seguir o próprio caminho, deixando que os semelhantes busquem os seus. Tentar interferir na caminhada alheia não é a melhor forma de sustento do ego. Como diz um provérbio chinês, não importa quantos passos a gente deu para trás. Importante é quantos passos daremos para frente. Aliás, é de um pensador a frase mais simplória sobre a existência: “A vida não precisa ser perfeita para ser incrível. Basta que seja vivida com verdade”. No português suburbano, a vida tem a cor que a gente pinta.

Se sorrimos para ela no espelho, ela sorri de volta. É uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, a recomendação é para que, independentemente de nossa coloração ideológico-partidária, cantemos, choremos, dancemos e vivamos intensamente. Dura, mas fascinante. Assim é a vida. Quando achamos que temos todas as respostas, lá vem ela e muda todas as perguntas. Na verdade, ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é. Há tempo para tudo. Entre chiliques, faniquitos e fricotes desnecessários, não podemos esquecer a moderação.

Perdão aos entendidos e, principalmente, aos deliberadamente desentendidos, mas ironia tem que ser entendida como ironia. Se não for assim, não é ironia e passa a ser um dilema indecifrável. O problema da vida para dez entre dez brasileiros que professam a política do atraso é que eles vivem cercados pelas duvidosas alternativas. Resumindo, poucos são o que poderiam ter sido. Ou seja, precisam da complicação para se definirem. Boa parte deles acha que a glória está mais no insulto, na agressão e na ameaça do que no elogio. Menos pela capacidade e mais pela imensa quantidade, esses tipos ainda tomarão conta do mundo. Eles são muitos.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante da sala. Agora usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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