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Curiosidades

Pedalar pelo mundo, um prazer aos 61 anos

Carolina Paiva, Edição

A vontade de descobrir o mundo sempre rondou a cabeça de Vera Marques, de 61 anos. Casada e com três filhos adultos, a mulher nasceu na pequena cidade de Echaporã, interior de São Paulo, e sua curiosidade em saber mais sobre a vida não cabia naquele município de 6 mil pessoas. O tempo passou, ela se formou em enfermagem e assumiu a administração de um hospital em Araçatuba, no qual trabalhou por 12 anos. Até que decidiu mudar completamente seus rumos.

No final de 2014, Vera pediu demissão do trabalho, se aposentou e resolveu viajar de bicicleta. Até agora, foram 16 países e cinco continentes, só faltou a Antártida. “Essa mudança me trouxe tranquilidade e menos pressão. Quando você comanda uma equipe e toma decisões, você sente estresse. Então foi uma sensação de alívio, de ter um tempo para mim”, explica ela, que trabalhava desde os 14 anos com carteira assinada. “Achei na bike a companhia perfeita, porque ela me permite interagir mais com as pessoas durante o caminho”, afirma.

A ciclista conta que não é atleta – e tampouco faz exercícios de alta performance para conseguir pedalar tanto. Além disso, nunca se intimidou por estar na terceira idade e seu segredo da longevidade está no básico: caminha todos os dias, pedala aos fins de semana e segue uma alimentação saudável.

“É errado pensar que bicicleta exige de você um condicionamento físico espetacular. O que menos interessa em uma cicloviagem é o desempenho. Deixe se levar pelo momento. Quanto mais lento, melhor: vou parando, fotografando, conhecendo pessoas. Planejamento e conhecer o lugar é bem mais relevante”, explica ela, que tenta pedalar no máximo 50 km por dia de viagem – o equivalente à distância do marco zero de São Paulo, na praça da Sé, até Rio grande da Serra, na região metropolitana da capital paulista.

Com esse pensamento, Vera já percorreu mais de 20 mil km e conheceu milhares de pessoas e culturas, na maioria das vezes sozinha. Sua primeira aventura foi na Estrada Real há cinco anos, maior rota turística do Brasil com mais de 1,6 mil km de extensão e com trechos no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A via foi construída pela coroa portuguesa na época do Brasil colonial e hoje atrai ciclistas de vários lugares.

‘Pedalar lá fora é fácil’
A ciclista fez várias viagens depois da primeira experiência a duas rodas. Dentre as tantas, percorreu a Europa, Nova Zelândia, Japão, Patagônia (no Chile e na Argentina) e, mais recentemente, a África do Sul. Como não sabe falar inglês muito bem, ela sempre comunicou com mímicas, desenhos e com o pouco que sabe da língua.

Ao seu ver, a aventura mais interessante foi na rede de estradas planejadas para ciclistas do Reino Unido (National Cycle Network), que interliga a Irlanda do Norte, Escócia, País de Gales e a Inglaterra. São vias históricas e vicinais que eram usadas para pedestres e cavalos no passado, mas que hoje ganharam placas e sinalizações para quem quer se aventurar de bike.

Vera passou três meses pedalando por esse circuito, cruzando zonas rurais e florestas inglesas. E não parou por aí: ela percorreu também a Eurovelo, um conjunto de 19 rotas planejadas para ciclistas compartilharem com veículos em todo continente europeu. Algumas beiram o litoral do mar mediterrâneo, báltico e o oceano atlântico. “As trilhas para bicicletas na Europa são muito seguras. Têm mapa, estratégia de alojamento e você encontra hostels [albergues] bons e baratos em cada cidade”, conta.
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