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Airton no Céu

Pedro e Januário abrem as portas a um novo santo

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Acervo Pessoal

No silêncio da madrugada desta terça, 12, o Céu recebeu um reforço cruzmaltino. Partiu Airton Negreiros de Araújo, daqueles torcedores que não apenas acompanham um clube, mas fazem dele extensão da própria alma. Vascaíno até o último apito da vida, Airton seguiu viagem levando no peito a Cruz de Malta e já procurando um cantinho entre nuvens para fundar a primeira arquibancada celestial de São Januário.

Octogenário de passos serenos, mas coração ainda juvenil quando o assunto era o Vasco, ele deixou na Terra o vazio inevitável das despedidas. Ficou a saudade dos gestos simples, das histórias repetidas com gosto, das memórias guardadas como relíquias de um tempo em que o futebol era quase uma religião doméstica, celebrada entre rádios chiando, domingos em família e esperanças renovadas a cada campeonato.

Mas homens assim não desaparecem; permanecem no jeito de falar dos filhos, nas lembranças espalhadas pela casa, nos retratos amarelados pelo tempo e, sobretudo, na continuidade do afeto. Airton viverá sempre no olhar e na sensibilidade de Irene Araújo, a querida @donairene13, que carrega não apenas o sobrenome do pai, mas a herança invisível dos que ensinaram dignidade, ternura e lealdade às próprias paixões.

São Pedro, ladeado pelo irmão Januário, com certeza ouviu ao longe um velho grito vindo dos portões eternos: “Casaca! Casaca!”. E certamente abriu passagem para mais um vascaíno de alma inteira. À família, aos amigos e à equipe de Notibras, ficam o abraço solidário e a certeza de que certas pessoas não morrem, mas apenas trocam de lugar na arquibancada, subindo mais um degrau.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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