Caldas Novas-GO
Perícia realiza simulação de disparos em prédio onde corretora foi morta
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A investigação sobre a morte da corretora Daiane Alves Sousa, de 43 anos, avançou com a realização de uma perícia técnico-científica minuciosa no prédio onde ela residia, em Caldas Novas. O procedimento, conduzido pela Polícia Civil, incluiu a simulação de disparos de arma de fogo no subsolo do edifício, local onde a vítima foi vista pela última vez antes de seu desaparecimento.
De acordo com o delegado André Barbosa, o objetivo central da reprodução simulada é confrontar a versão apresentada pelo principal suspeito com as evidências físicas. A polícia busca verificar se o depoimento do síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, possui plausibilidade técnica diante da dinâmica do crime ocorrido no final de 2025.
Cléber Rosa de Oliveira e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos preventivamente na última quarta-feira (28). Enquanto o síndico é o principal suspeito do homicídio, o filho é investigado por obstrução de justiça. As prisões foram mantidas pela Justiça após audiência de custódia realizada no dia 31, com parecer favorável do Ministério Público de Goiás (MPGO).
O caso teve início no dia 17 de dezembro, quando Daiane desapareceu após descer ao subsolo do prédio para verificar o padrão de energia de seu apartamento, que havia sido cortada. Antes de sumir, ela enviou vídeos a uma amiga relatando o problema. Após 40 dias de buscas, o síndico confessou o crime e indicou o local onde o corpo foi desovado.
Os restos mortais da corretora, já em estado de ossada, foram localizados em uma área de mata a cerca de 20 quilômetros de Caldas Novas. A polícia agora aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar com exatidão a causa da morte e confirmar se houve, de fato, a utilização de arma de fogo durante a execução.
O histórico entre a vítima e o agressor era marcado por conflitos judiciais e animosidades. Pouco antes do crime, em 19 de janeiro, o Ministério Público havia denunciado o síndico pelo crime de stalking (perseguição reiterada) contra Daiane. A denúncia detalhava agressões físicas, verbais e monitoramento constante da rotina da corretora entre fevereiro e novembro de 2025.
Por outro lado, o ambiente de tensão no condomínio também gerou uma denúncia contra a própria corretora por invasão de domicílio, após ela entrar na sala administrativa do síndico sem autorização. A defesa de Daiane, à época, classificou a acusação como infundada e uma tentativa de omissão da realidade vivida no prédio.
A mãe da vítima, Nilze Alves, relatou às autoridades que o apartamento da filha foi encontrado trancado, apesar de Daiane ter o costume de deixar a porta aberta em saídas rápidas. O registro do boletim de ocorrência foi feito logo após a família notar a ausência de contato e encontrar o imóvel vazio no dia em que haviam planejado se reunir.
A defesa de Cléber e Maykon Douglas manifestou-se por meio de nota, afirmando que os fatos ainda estão sob apuração e que o síndico está comprometido em colaborar com as autoridades. Os advogados ressaltaram ainda que não há qualquer evidência que ligue o filho de Cléber diretamente à morte de Daiane Alves.
A Polícia Civil de Goiás ressalta que a dinâmica completa do crime e os detalhes sobre como a execução ocorreu serão preservados até que os laudos técnicos sejam finalizados. A perícia no local é considerada peça-chave para o fechamento do inquérito e para garantir que a acusação de homicídio e ocultação de cadáver seja sustentada por provas científicas sólidas.