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História antiga

Perus de fora querem tensionar política para eleger um bando de loucos

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A eleição brasileira de 2026 não é sobre medo, mas sobre a insistência de perus de fora em dar peruadas desconexas no pleito nacional. Se a ideia é criar pânico na população, vale lembrar a Flávio Bolsonaro, Javier Milei e Donald Trump que hoje não há ninguém no mundo mais alarmados do que os que reprovam as bolsonarices, os que votaram em Milei e os que ainda terão de enfrentar o déspota norte-americano pelo menos por mais dois anos. Talvez seja bem menos, considerando as expectativas de que as eleições de meio de mandato cortem a força e o barato.

O pânico a que me refiro é orquestrado pelos três beócios e tensores da política mundial. Além de super tarifar as exportações brasileiras, a repetida ideia é desqualificar o sistema eletrônico de votação, infalível no Brasil, inexistente na Argentina e tupiniquim nos Estados Unidos. Ou seja, nada se parece com o sistema brasileiro, cujas urnas eletrônicas já serviram para duas ou três eleições regionais na Argentina de Milei, para simuladas nos EUA de Trump e para eleger, entre outros parlamentares e governadores de direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na tacanha bolsonarice para os não menos tacanhos bolsonaristas, as máquinas de votar só são manipuláveis, isto é, só roubam quando Lula da Silva ou alguém do PT têm chances reais de vencer o pleito. Por que não as questionaram na eleição de 2018, quando foi eleita uma enxurrada de parasitas da direita mais extremista, menos trabalhadora e muito mais dominadora, notadamente do dinheiro público. Portanto, se alguém precisa ter medo não é de Lula, do PT ou da esquerda.

A história antiga e recente de Jair Bolsonaro e de seu primogênito, Flávio Bolsonaro, fala por si. Não há sequer necessidade de desenhar, pois até os meninos da quinta série sabem, de cor e salteado, como foi catastrófica a gestão do capitão. A respeito de Donald Trump, há muito por dizer. O mais relevante é seu desejo de se transformar no dono do mundo, uma reedição de Luís XIV, rei da França entre 1643 e 1715. Ícone do absolutismo monárquico, o monarca encapsulou sua visão de poder real ao produzir e divulgar sua mais famosa frase: “L’État, c’est moi” (“O Estado sou eu”).

Como Trump se considera o centro do planeta e da vida política mundial, seu sonho de menino mimado é copiar de Luís XIV o apelido o Rei Sol. Quanto a Milei, primeira pessoa do verbo maquilar no pretérito perfeito do indicativo, ninguém deve ler o que ele escreve, tampouco o que diz. Parceiro de barbáries e do nada por fazer da família Bolsonaro, o grosseiro e estulto presidente argentino parece um daqueles sacolejantes bonecos de postos de gasolina, os quais lembram loucos se apresentando em um palco sem plateia. Na verdade, a plateia preferida por Milei no Brasil é composta por uma maioria de loucos, mas loucos pelo poder. Por isso, é que Lula pensou, repensou e decidiu não devolver na mesma moeda a patifaria do vizinho mandatário.

Afinal, como disse Nicolau Maquiavel, o melhor caminho para um ser pensante é não permitir a aproximação de idiotas. Conforme o nosso dramaturgo Nélson Rodrigues, eles são capazes de tomar o poder pela quantidade e não pela capacidade. Eis a razão pela qual Javier Milei, irracional como ser humano e insignificante como chefe de Estado, deve ser visto pelos brasileiros como um idiota útil, aquele que serve de forma ingênua, mas deliberada, aos interesses de líderes espertos que se utilizam dessas pessoas para conseguir poder ou atenção. Qualquer semelhança com a estratégia bolsonarista não é mera coincidência. É pura má intenção. Para sorte de brasileiros, argentinos e americanos, Milei, Trump, Jair e Flávio Bolsonaro passarão e nós ficaremos livres deles.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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