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Pix vira inspiração para roteiro de filme B

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Autor/Imagem:
Antonio Eustáquio Ribeiro - Foto de Arquivo

Não, não vou falar de Dark Horse, até porque este, numa classificação decrescente de qualidade por ordem alfabética, seria no máximo um filme Z, filme que, dadas as intercorrências policiais envolvendo a produção, deverá ser lançado para um público no presídio. Filmes B são, no jargão cinematográfico, aquelas produções baratas consideradas mal feitas, com uma série de erros de produção e, via de regra, com atores pouco conhecidos e geralmente canastrões. E qual é o filme então de que se fala? O da relação pusilânime entre os bolsonaros e o governo de Donald Trump.

A classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelo governo dos EUA não surpreendeu a ninguém que tem um mínimo de senso e conhecimento da realidade. Isto já estava dado como certo e faz parte do roteiro de mecanismos de intervenção norte americana no Brasil, especialmente agora em 2026, ano de eleições presidenciais. E o que isto tem a ver com o roteiro de um filme B? Tudo. São eventos encadeados para tentar proteger e reabilitar uma candidatura atingida no coração, com as revelações das relações nada republicanas de Flávio com Daniel Vorcaro, em torno Justamente do famigerado Dark Horse.

Ato contínuo à divulgação dos áudios evidenciando a estreita relação do senador e do banqueiro, o 01 se refugia sob a aba de Donald Trump em busca de uma boia que o salvasse da negativíssima exposição. Daí, ato contínuo, com toda pompa e circunstância, o poderoso, obcecado e despeitado cubano americano Marco Rubio anuncia a decisão de declarar as facções criminosas brasileiras PCC e CV como organizações terroristas. E o senador, claro, tenta capitalizar isto como uma grande conquista para o futuro do Brasil, como se isto por si só tivesse o condão de acabar com estas organizações.

Se assim fosse, os cartéis criminosos mexicanos e colombianos não teriam a força, estrutura e poder que têm. Ou seja, do ponto de vista prático esta ação nada faz para limitar o poder e alcance destas organizações, contra elas nada muda, mas abre a possibilidade de uma ingerência militar inédita dos EUA no Brasil, algo que nem na ditadura militar altamente sabuja aos interesses norte americanos ocorreu, mas que os bolsonaros defendem arduamente.

Mas o filme não termina aí. Neste roteiro mal escrito ainda faltam peças, ou, takes, a serem gravados. E é isto o que pode ocorrer no curso da campanha eleitoral: alguma ação espetaculosa do exército dos EUA contra o Brasil para supostamente prender alguém destas organizações. E claro, com uma foto do senador ao lado da bandeira americana afirmando que por ação dele o crime organizado acabou no Brasil, o que será algo falso e curioso por ser ele teoricamente protetor de parte do crime organizado.

Porém, talvez inebriado com a própria “inteligência” com a ideia da ajuda a um candidato de direita com a possibilidade de um aliao próximo assumir o governo do Brasil, Trump deu a cartada que tanto queria desde quando assumiu, antecipando assim o que pretendia com o senador na presidência da república: joga sobre o PIX brasileiro a culpa de ser responsável por tornar as relações comerciais com os EUA injustas para as empresas norte americanas, especialmente as gigantes de pagamento como VISA, MASTERCARD, PAY PAL e GOOGLE PAY. É isso. Trump quer acabar com o PIX, queridinho dos brasileiros de esquerda, direita e centro. O senador só não contava com esta revelação de suas nada republicanas conversas com o líder norte-americano assim tão antes da hora. Eis o take que não estava no roteiro do senador para este escandaloso e mal feito filme B. Mas isto é roteiro para próximas escritas.

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Antonio Eustáquio é correspondente de Notibras na Europa

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