Contra o povo
PL quer impedir que deputados discutam melhorias na jornada de trabalho
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Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), declarou que vai “fazer de tudo para não deixar votar a escala 6×1, de jeito nenhum” e vai também “pedir a pressão dos empresários pra ir em cima dos deputados”. Valdemar escancara uma lógica que coloca o peso do poder econômico acima do debate democrático. Em vez de estimular uma discussão pública, transparente e equilibrada sobre jornada de trabalho, a estratégia anunciada é a de bastidor, de pressão organizada para impedir que o tema sequer avance.
A escala 6×1 é um modelo exaustivo, que impacta diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores, especialmente os mais pobres. Impedir que o Congresso sequer vote o assunto significa negar ao povo o direito de ver seus representantes discutirem melhorias nas condições de trabalho. O debate é legítimo, envolve produtividade, qualidade de vida e desenvolvimento social. Bloqueá-lo por pressão empresarial soa menos como defesa da economia e mais como defesa de interesses específicos.
O sistema político brasileiro não é perfeito e pode produzir distorções. Uma delas é a existência de partidos como o PL, que parecem votar sistematicamente contra os interesses da maioria que os elegeu. Quando uma legenda atua para atender demandas de grupos econômicos organizados, em detrimento do trabalhador comum, surge um descompasso entre representação formal e representação real. E é nesse descompasso que cresce a descrença na política.