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Peleja inglória *

Planalto tem poder na mesa e mistérios nas paredes

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Embora viva com o pé atrás em relação aos pastores evangélicos do Brasil, uma das frases que mais marcou o meu início de carreira no jornalismo é de autoria de um pastor evangélico norte-americano. Provavelmente tentado por Deus a mostrar a suas ovelhas que, mirando a perfeição, podemos alcançar a excelência, Chuck Swindoll imortalizou a expressão “Todos nós somos diariamente confrontados com uma série de grandes oportunidades que surgem brilhantemente disfarçadas de situações impossíveis”.

Aportuguesando a brilhante tese do pastor Swindoll, acho que poderia dizer a qualquer cidadão que aspira ser líder que se ele não acredita nele, por que alguém deveria acreditar? Aproveitando a proximidade das eleições gerais, não posso deixar de adaptar aquela clássica pergunta dos programas de auditório: Quem quer ser o 39º. presidente da República Federativa do Brasil? Desde a Proclamação da República, em 1889, já foram 38, dos quais oito se elegeram após a redemocratização, em 1985.

Até agora, aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva, líder do petismo, é o recordista, com três mandatos, podendo chegar ao quarto caso os candidatos fiquem limitados aos três ou quatro postos na praça. Apenas como registro, Lula está há quatro décadas na vida pública, cinco a menos do que o ditador Getúlio Vargas. Como presidente, Lula completará em janeiro 12 anos intercalados, contra 18 e meio, também intercalados, de Vargas. Como sabemos, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos para tentar ocupar a cadeira que já foi de JK.

Para atingir o sonhado objetivo político é preciso pouca coisa. Na verdade, quase nada, além de milhares de milhões de votos. Se você não tem, nem tente. É o meu caso. Por mais que insistam, antecipadamente digo que estou fora dessa inglória peleja. Inglória porque as exigências após a posse são infinitamente desproporcionais ao que se recebe de salário. Tudo bem que as vantagens são multifacetadas, algumas na forma de joias árabes. O problema são os “irmãos” políticos e ex-inimigos partidários aos quais o presidente eleito tem de ceder as tetas.

Mais preocupante do que trabalhar muito e ganhar pouco é a obrigação de conviver com gregos, baianos e goianos que, acostumados às duplas sertanejas, não aceitam ficar fora do palco iluminado, sob pena de eles buscaram em Donald Trump apoio para formar uma milícia de patriotas e super tarifar desde a média com pão na frigideira à popularíssima marmita urbana com salada e churrasco de carne moída. Às vezes, acho que o cargo é muito bom. De outras, tenho certeza de que é muito ruim. Em resumo, por que tantos lutam, tentam matar e até são presos por causa de um cargo tão estressante?

Além do poder, o que há de tão bom entre as pilastras e as paredes do Palácio do Planalto? Com a resposta, talvez eu entendesse a razão de tamanho apego daquela família pela Presidência da República. Não tenho informações precisas, mas tenho a impressão de que enterraram uma caveira de burro nos alicerces do Palácio do Planalto. Sem contar os soluços, a imbrochabilidade e a senilidade de alguns, somente no período pós-redemocratização quatro presidentes foram presos, dois não concluíram o mandato e apenas um segue saracoteando pela Praça dos Três Poderes. Queira ou não a patriotada da omelete de frango com farofa, pelo menos ainda temos com o que nos orgulhar. O PIX é nosso.

Da mesma forma, o Flamengo, a Amazônia, as terras raras, o Bolsa Família, as urnas eletrônicas, o Banco Master, o PCC, o CV e até os enganadores do PL de Valdemar Costa Neto são nossos. Não quero ser presidente, mas temo pelo resultado das eleições. Se não der a lógica, corremos um sério risco: o de o Brasil e a soberania deixarem de ser nossos. Não sei se me entendem, mas em 2022 eu e milhões de brasileiros pedimos música no Fantástico. Se tudo der certo, em 2026 a pedida será cravar no peito a quarta estrelinha e dançar no palco do Domingão do Hulk o maior sucesso de Xuxa, a rainha dos patriotas baixinhos: Ilari, ilari, ilariê lá, lá, lá. E que venha 2030!

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