Vazio de ideias
Plano econômico vira pedra no sapato do senador Flávio Bolsonaro
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Nesta semana, em reunião com executivos do BTG Pactual, Flávio Bolsonaro voltou a confirmar aquilo que já se tornou uma marca da família: a absoluta incapacidade de apresentar um projeto estruturado para o país. Segundo relatos, o senador limitou-se a repetir promessas genéricas de corte de impostos e mudanças na política fiscal, sem detalhar como, quando ou com quais impactos tais medidas seriam implementadas.
Cortar impostos é sempre uma frase que soa bem aos ouvidos do mercado. Mas qualquer estudante de economia sabe que política fiscal envolve escolhas duras: o que será cortado? Quais despesas serão reduzidas? Como manter serviços públicos essenciais? Qual será o impacto na dívida? Nada disso foi apresentado. Nenhum plano consistente, nenhum cronograma, nenhum estudo técnico.
O que causa espanto não é apenas a falta de conteúdo. É o fato de ainda haver quem espere algo diferente. Em nenhum momento da trajetória política da família Bolsonaro houve apresentação de um projeto econômico estruturado, nem para o país, nem para o estado e cidade que representam. O discurso sempre orbitou em torno de pautas morais inflamadas, slogans ideológicos e confrontos culturais. Na economia, o vazio.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, por exemplo, a condução econômica ficou praticamente terceirizada ao então ministro Paulo Guedes. Mesmo ali, a prometida agenda liberal ampla jamais se concretizou como anunciado. Reformas ficaram pela metade, privatizações prometidas não saíram do papel, e o debate econômico raramente partia do próprio núcleo político da família.
Diante disso, fica a pergunta: o que os executivos do BTG esperavam ouvir? Um plano detalhado de ajuste fiscal? Uma proposta de reforma tributária alternativa? Um desenho consistente de política industrial? Ou esperavam um milagre retórico capaz de transformar generalidades em estratégia?
O mercado financeiro pode ser pragmático, mas não pode se dar ao luxo de ser ingênuo. Economia não se faz com palavras soltas ou frases de efeito. Exige números, metas, responsabilidade e coerência. Até aqui, nada disso foi apresentado.
Talvez o verdadeiro espanto não esteja no que foi dito na reunião, mas no fato de ainda haver quem acredite que algo substancial pudesse surgir dali.