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Receita de Bozo a El Loco

Plaza de Mayo caminha para virar novo Piscinão de Ramos

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Mais enrolado do que os pelos “pluvianos” da mulher barbada e mais molhado do que menino mijado, Jair Messias e sua trupe golpista desembarcam semana que vem em Buenos Aires, onde participarão da posse do camarada Javier Milei, o simulacro de bravateiro. Aliás, as ameaças de El Loco à China e ao Brasil duraram apenas o tempo de uma partida de futebol entre cegos. E sem a necessidade de minutos extras.

Foi mais rápido do que eu e as torcidas do Flamengo, do Corinthians, Vasco da Gama, Boca Junior, River Plate e Racing imaginamos. A bem da verdade, o radicalismo do hermano cabeludo não durou sequer um temporal. Ele afinou tão logo percebeu que falar grosso não é para amador.

Antes que o vento desmontasse o penteado, brochou assim que foi informado que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não é do tipo que abaixa as calças no primeiro grito de um cidadão que ainda não sabe nem o endereço correto da Casa Rosada, sede do governo argentino. Apesar de sua diplomacia de curral, Milei roeu a corda, guardou a sela, escondeu os arreios e decidiu convidar Lula para a posse.

Aproveitou uma carta fora de época para também abrir negociações futuras com o presidente brasileiro. Destratado publicamente, obviamente que Lula não vai. No entanto, somente o convite de lorde Milei já gerou ciuminhos desvairados em Bolsonaro, cuja trajetória medíocre o impede de aceitar o sucesso alheio.

Para esse tipo de ser humano, a coisa fica insustentável quando o antagonista é reconhecidamente um político vitorioso e que ocupa pela terceira vez o cargo do qual o ciumento foi jubilado. Como parte do siricutico, dizem as boas línguas que Jair ficou decepcionado com El Loco Milei. Interessante é que, em nenhum momento, o mito frango com farofa se mostrou decepcionado com a veiculação do anúncio de que o governo de Luiz Inácio vai custear pelo menos metade das despesas de sua robusta equipe.

É aquela velha história da pimenta virar refresco nos olhos dos espertalhões. E, convenhamos, não há besta na turma que descreve a democracia como soberba, ineficaz e ultrapassada.

Do meu catre rubro-negro e repleto de esperança, penso que, enquanto batemos palmas para maluco dançar e fazemos festa para derrotado viajar, a vida segue seu rumo. Da mesma forma que um dia Jair foi emparedado por Xi Jinping, Javier Milei recebeu semana passada um duro recado do governo chinês. Ante a ameaça de a Argentina de El Loco cortar laços e querer distância do Brasil e da China, a diplomacia do país asiático afirmou que “Nenhum país pode cortar relações diplomáticas e ser capaz de manter cooperação e comércio”.

Em outras palavras, se o presidente portenho acha o tango suficiente para alterar sua realidade de miserê, convoque Bolsonaro para o Ministério da Economia e a lambança será generalizada.

Felizmente, entre o cômico e o trágico, há sempre uma sentença realista. Até que me provem o contrário, Bolsonaro e Milei parecem entender tanto de pessoas quanto o abutre de carniça. Político de uma nota só, o ex-mito, na ausência de discurso e propostas, voltou a atacar o processo eleitoral e o Supremo Tribunal Federal. É a trombose cerebral chegando à língua.

O fato é que a direitona brasileira não se cansa de criticar o governo Lula. Minha leitura é de que os acertos estão incomodando. E certamente demorarão pouco para incomodar as mães e avós da Plaza de Mayo. Sem medo de errar, diria que a dupla Jair e Milei lembra um pronome abstrato e o pretérito imperfeito de um verbo qualquer, ambos em uma irmandade sem sujeito.

El Loco quer distância do Brasil e da China. É um direito. Em nome do povo até aqui de mágoa com o conservadorismo caboclo, digo que, para quem está na mierda, seria um favor para brasileiros e chineses. Tenho dó da população argentina, do mesmo modo que lamento a triste viuvez dos patriotas. Lá como aqui, a maioria não tem culpa do peluqueiro que escolheram.

Só para ilustrar, também tivemos um desses. “El Malucon” fez o mesmo, achando que titio Donald Trump iria bancá-lo. A estratégia deu errado e Sir Mitozinho, primo do Fimatozan e afilhado do Espermatozoide, morreu antes da primeira tomada de curva. Acabou sem brilho, com a brocha na mão e fazendo boca de urna no entorno do Piscinão de Ramos.

*Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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