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Filantropia de audiência

Pobre desafia Huck a passar um dia sem comer

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto Editoria de Artes/IA

Conforme uma das máximas da cultura popular, a pobreza não tira a nobreza de ninguém, a riqueza sim. Se havia alguma dúvida a respeito disso, o apresentador global Luciano Huck tratou de sepultá-la ao criticar os milhares de brasileiros que recebem o Bolsa Família. Com salário que se aproxima de R$ 5 milhões, Huck talvez nunca tenha se dado conta de que somente os miseráveis assumidos buscam a fila formada pelo governo para receber o benefício. Certo? Claro que não!

Vivendo platinada, global, isoladamente e longe, bem longe, das comunidades, dos guetos, e consequentemente da miséria, certamente o riquinho apresentador também não deve ter percebido ou sido informado que, fora os pobres de carteirinha e com firma reconhecida, alguns milionários como ele inserem dados falsos ou se utilizam indevidamente do CPF de terceiros para invadir as redes do governo e fraudulentamente receber o auxílio governamental.

O desconhecimento, a avareza ou a insensibilidade provavelmente são a causa de tão absurda análise de um cidadão que, até para ajudar eventuais necessitados em seu programa, usa o comercial da Rede Globo ou os “amigos” empresários para bancar seus “gestos filantrópicos”. Ou seja, até para a filantropia exclusivamente de audiência.

Para uma pessoa que o Brasil supõe com inteligência acima da média, Luciano Huck passa recibo de absoluta desinformação ou de companheirismo ao não se lembrar que, na lista de beneficiários do Bolsa Família, há dezenas de influencers, pequenos e médios empresários, parlamentares e, quem sabe, apresentadores menos influentes. Portanto, se o Bolsa Família não tira ninguém da pobreza e gera dependência, o que dizer de seus “colegas” mais aquinhoados?

Como cidadão que trabalha para sobreviver, gostaria de me cadastrar no benefício familiar do Luciano Huck. Se o acesso for difícil como imagino, me resta, em nome do Brasil dos pobres, sugerir ao milionário apresentador dominical um convite à mulher e aos três filhos a passar um único dia sem comer caviar, lagosta, camarão ou filé mignon.

Convidá-los a deixar de se alimentar certamente seria uma heresia ou uma enorme afronta à mesa diária da família de hábitos judeus. Por tudo isso, meu caro Huck, lembre-se de que em boca fechada não entra mosca. Caso o ditado não faça parte do seu dia a dia, faço mais uma sugestão: Por que não te calas?

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