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Lenço é pra quê?

Poema a consolar amigos, em melodia de fado

Publicado

Autor/Imagem:
Luiz Martins da Silva - Foto Francisco Filipino

I
Nunca se sabe ao certo
Quantos deveres de casa
Em nós pedem uma saudade.

II
Não ter idade, ir logo ao cerne,
Epicentro do interminável,
Replantar a sementes das horas.

III
Em certos dias, cismar bem cedo
Por servir-se de agendas:
“Vá anotando-me, pondo, aí!”

IV
Algum sossego, fórmula:
Nada de segurar lagrimas.
Tome-as de um vidro floral.

V
Saudosos pedem orações,
Mas, é por nós mesmos.
Preocupações geracionais.

VI
Evitá-las não é o caso.
Mas, é de boa simpatia,
Janelas constar gerânios.

VII
Receita de viver muito
É não esgotar lembranças.
Zelo com estes olhos d’água.

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