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Rios voadores

Poema e aquarela dedicados à Maestrina Glicínia Mendes

Publicado

Autor/Imagem:
Luiz Martins da Silva - Texto e Aquarela

Súbito, madrugada afora,
Procuro, procuro…
Mas, ainda não os vejo.

Eram prometidos, mas a moça disse:
Ainda [chuvas], esparsas. E, atenção:
Previsão não é precisão.

Por todos os cantos planetários,
Uns, em bancos de areia. Outros…
Tremores, torrentes de lágrimas.

Sem água para berço e barco,
Lavas, montanhas abaixo.
Rios de fogo e fumaça.

Gea, a nave, mãe-Terra.
Onde fostes amor, a dor.
Seca, genocídios, horror.

Fui ter com os céus e, os astros:
– Espere, ainda há esperança.
Mesmo tardia e longínqua.

Um dia, não mais matarão.
Nem rios, nem matas, nem mães,
Nem Deus, igualmente, mulher.

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