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Golpe de R$ 1 bilhão

Polícia Civil prende diretores da Naskar em operação contra fraude nacional

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação/PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou, nesta quinta-feira (23), um esquema bilionário de fraudes financeiras operado pela fintech Naskar Gestão de Ativos. A ação resultou na prisão de três dos principais líderes da empresa: Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato. O impacto da organização criminosa é devastador, somando um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão [0] e deixando cerca de 3,5 mil vítimas espalhadas por todo o território nacional.

As capturas foram coordenadas pela Divisão de Falsificações e Defraudações (DIFRAUDES/CORF) e ocorreram simultaneamente no estado de São Paulo, abrangendo a capital, o município de Carapicuíba e o balneário de luxo de Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Durante as buscas, os agentes apreenderam automóveis de alto padrão, computadores, celulares e mais de R$ 150 em espécie, além de maços de cédulas em euros e dólares.

O modelo de atuação da Naskar seguia a cartilha clássica das fraudes financeiras, atraindo investidores por meio de promessas de alta rentabilidade fixa, muito acima dos patamares praticados pelo mercado legal. No entanto, a engrenagem ruiu em maio de 2026, quando a fintech encerrou de forma abrupta o atendimento, bloqueou as contas de saques dos clientes e deletou todos os canais oficiais de comunicação.

A poeira começou a levantar ainda no primeiro semestre, quando uma enxurrada de denúncias sobre travamentos no aplicativo e falta de suporte acendeu o alerta da polícia do DF. Na tentativa de conter o pânico e ganhar tempo, a Naskar chegou a emitir uma nota alegando que estava passando por uma suposta auditoria interna devido a “inconsistências na base de dados”, justificativa que não convenceu as autoridades.

O drama das vítimas é ilustrado pelo relato do empresário Wesley Miranda Albuquerque, dono de uma consultoria de planejamento financeiro em Brasília. Ele atuava como correspondente da fintech e direcionou cerca de 135 clientes para os produtos da Naskar, movimentando um montante de R$ 47 milhões. O calote o atingiu pessoalmente, afetando as economias de sua família e o patrimônio acumulado por uma vida inteira de trabalho.

“Meu dinheiro da vida está dentro dessa instituição. Minha mãe vendeu uma casa que ela tinha e colocou o dinheiro lá para viver da renda”, desabafou Wesley em entrevista, após os representantes da fintech cortarem completamente as ligações, mensagens e notificações jurídicas emitidas pela sua consultoria.

A derrocada da suposta gestora de ativos também arrastou outras corporações parceiras para os tribunais, a exemplo do Grupo Nexco. Diante de atrasos inéditos e da falta de transparência, a empresa rompeu a parceria, afirmando por meio de seu advogado, Kauê Machado, que a situação havia escalado de uma simples falha operacional para uma irreversível “crise de confiança e de informação”.

Com os três líderes atrás das grades, os suspeitos agora respondem formalmente pelos crimes de estelionato qualificado, organização criminosa e lavagem de capitais. A reportagem segue tentando localizar os representantes legais e as defesas de Marcelo Liranco, Rogério Vieira, José Maurício Volpato e da própria Naskar para que possam se manifestar sobre as graves acusações.

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