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Rio de Janeiro

Polícia investiga lista virtual que sexualiza alunas de colégio tradicional

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro inicia, nesta quarta-feira (8), as oitivas formais para apurar a criação de uma lista classificatória on-line (conhecida como tierlist) por estudantes do Colégio Cruzeiro. O documento digital expôs diversas alunas da unidade de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da capital fluminense, dividindo-as em categorias de cunho explicitamente sexual e pejorativo. Os depoimentos do diretor da instituição de ensino e das primeiras jovens que figuram como vítimas abrem os trabalhos de polícia judiciária na data de hoje.

O caso está sob a condução direta da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). O diretor da prestigiada unidade escolar foi formalmente intimado a comparecer à sede da especializada ainda durante o dia de hoje para prestar esclarecimentos institucionais. De acordo com as autoridades, tanto os estudantes apontados como autores da listagem quanto as adolescentes expostas possuem idades compreendidas na faixa que vai dos 14 aos 17 anos.

A linha de investigação estabelecida aponta que os jovens envolvidos na elaboração do ranking, todos legalmente menores de idade, responderão por atos infracionais. O enquadramento inicial aponta para condutas análogas aos crimes de injúria, difamação e submissão de criança ou adolescente a vexame ou constrangimento. A Polícia Civil pontuou, contudo, que a tipificação de outros delitos de maior gravidade não está descartada e pode ocorrer conforme os elementos probatórios forem colhidos.

A delegada titular da Dcav, Maria Luiza Machado, revelou que a especializada tomou conhecimento formal do episódio há cerca de dois dias. A prioridade imediata da equipe policial concentra-se em concentrar de forma unificada os registros e boletins de ocorrência lavrados. O monitoramento das queixas efetuadas pelas famílias em outras delegacias distritais da cidade visa centralizar todo o acervo na especializada para garantir que a apuração ocorra de maneira coordenada e integrada.

A estimativa inicial indica que pelo menos 65 meninas foram inseridas e diretamente vitimadas pela exposição vexatória na plataforma digital. A chefe do inquérito declarou que existe o planejamento de colher o testemunho de todas as jovens afetadas ao longo das próximas semanas. A delegada ressaltou ainda que as escutas serão conduzidas por meio de um protocolo de atendimento especializado para minorar o sofrimento emocional e evitar a revitimização das menores na delegacia.

A estrutura do ranking on-line, à qual a reportagem teve acesso por meio de registros de imagens, dividia os alvos femininos em cinco níveis distintos de degradação. No topo da lista figurava a sigla em inglês ‘GOAT’ (greatest of all time), comumente utilizada no esporte para designar o “melhor de todos os tempos”. Abaixo, as estudantes eram distribuídas em rótulos machistas e depreciativos como ‘Comeria no lucro’, ‘Bêbado vai’, ‘Me arrependi depois’ e ‘Nem olharia’.

Diante da repercussão do vazamento do material ofensivo, a administração do Colégio Cruzeiro informou que a página contendo a votação e a exposição foi completamente retirada do ar. A instituição comunicou que, logo após constatar os fatos no ambiente digital, formalizou uma denúncia direta contra a plataforma que hospedava a tierlist. O procedimento surtiu efeito rápido, ocasionando a imediata exclusão e remoção integral do conteúdo depreciativo da internet.

Em nota oficial divulgada à imprensa, o Colégio Cruzeiro declarou repudiar de forma veemente qualquer atitude de exposição que atente contra a integridade de seus alunos. A direção ressaltou que acionou imediatamente as forças policiais por meio de boletim de ocorrência assim que tomou ciência da gravidade do caso. O colégio informou também que as famílias das alunas afetadas foram prontamente alertadas e estão recebendo apoio pedagógico e psicológico integral por parte da coordenação.

O comunicado da instituição enfatiza que o papel da escola contemporânea transcende o mero ensino acadêmico tradicional, devendo abarcar obrigatoriamente a formação ética integral do ser humano. A direção relembrou que a responsabilidade no ambiente digital e a conduta ética são temas recorrentes na rotina de seus três mil alunos matriculados. O colégio destacou a manutenção regular de campanhas de conscientização integradas por palestras ministeriais de juízes, psicólogos e delegados especialistas em crimes cibernéticos.

A nota conclui reforçando que a postura adotada reflete a tradição e os pilares de uma instituição que já contabiliza 164 anos de atuação no desenvolvimento humano pautado no respeito mútuo. A escola garantiu que permanece estritamente atenta ao cumprimento de todas as medidas pedagógicas, disciplinares e administrativas que lhe cabem juridicamente. O objetivo primordial da mantenedora é zelar pela integral preservação de um ambiente formativo que seja seguro e saudável para toda a sua comunidade escolar.

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