Bate-boca
Política do espetáculo ou estratégia eleitoral
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Quem acompanha as redes sociais de Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, e de Renan Filho, ministro dos Transportes, presenciou nos últimos dias um bate-boca público que diz muito mais sobre o clima político do que sobre políticas públicas em si.
Tudo começou quando Jorginho resolveu atacar as ações do governo federal, mantendo seu já conhecido tom agressivo e ideologizado. A resposta veio rápida e direta. Renan Filho não economizou palavras ao afirmar que o governo catarinense é “retrógrado, antigo, mal-humorado e briguento” e que ataca porque não tem argumento. A frase viralizou, como era de se esperar, e transformou a troca de farpas em espetáculo político para consumo nas redes.
Renan Filho é pré-candidato ao governo de Alagoas e sabe que, na política atual, visibilidade é capital eleitoral. Ao confrontar um governador alinhado ao bolsonarismo, ele se projeta nacionalmente, associa sua imagem à defesa do governo federal e tenta mostrar serviço como ministro, especialmente na área de infraestrutura e transportes. É estratégia: ocupar espaço, pautar o debate e se apresentar como alguém que responde politicamente aos ataques.
Mas também é verdade que Jorginho Mello coleciona declarações e atitudes que o colocam no papel de figura tosca e reacionária, sempre apostando na provocação como método de atuação política. Em vez de discutir dados, obras ou políticas concretas, prefere a retórica do confronto permanente. Nesse sentido, o “enxovalho” público acabou sendo consequência do personagem que ele mesmo construiu.
O episódio revela dois movimentos simultâneos: de um lado, um ministro usando as redes como palanque; de outro, um governador que insiste em fazer da política um ringue ideológico. O bate-boca rende curtidas, mas não resolve problemas. Ainda assim, deixa claro quem aposta no barulho e quem tenta capitalizar politicamente sobre ele.