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Ciência da corrupção

Política é a arte do povo saber escolher entre o estragado e o intragável

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Em se tratando de Brasil, nada se cria, tudo se transforma. Atribuída ao nobre e químico francês Antoine Lavoisier, o homem que revolucionou a química no século XVIII, a frase foi adaptada para o português popular e ficou nada se cria, tudo se copia. Bem melhor para um povo que já se acostumou à esparrela política. Entra ano, sai ano e os homens públicos brasileiros não mudam. Na verdade, como moscas varejeiras, eles não deixam sequer a bosta mudar. Se amontoam sobre ela e créu.

Se fartam como se estivessem participando de uma ceia apostólica. Não deixam para trás um único grão de feijão. Foi-se o tempo em que, teoricamente, as eleições eram decididas pelos mais letrados. Com perdão da má lembrança, hoje os políticos não são mais eleitos pelas pessoas que leem jornais, mas pelas que se limpam com eles. Infelizmente, é um fato venéreo. Catedrático em culinarioterapia, Seu Cuca é eu. Por isso, do alto de minha experiência no cozinho de bons pratos, digo sem medo de errar que a política do Brasil é a arte de escolher entre o ácido, o salgado, o insosso, o estragado e o intragável.

Traduzindo para o cotidiano cartográfico, a política é a ciência da corrupção. Considerando que o homem é um animal político, manter as ratazanas intocáveis é sinônimo de partilhar deliberadamente do mesmo prato. Na verdade, do mesmo coxo. Aliás, para provar a tese de que, por aqui, tudo é igual a 171, o político corrupto normalmente é um falsário fantasiado de líder. Às vezes, vai mais longe e se veste de lenda, duende, extraterrestre e até mito. É um relacionamento sério envolvendo eleitores deformados e homens públicos reformados.

Ou seja, político corrupto é a sobra venenosa dos experimentos químicos de Lavoisier. A respeito do atual quadro, emoldurado por figuras com perfis que vão da nocividade à obrigação de acertar, só há verdade absoluta para quem insiste em acreditar na mentira. Aí, a coisa fica séria. Contra esses, uso a tese filosofal do pensador alemão Friedrich Nietzsche, para quem a vantagem de ter péssima notícia é se divertir com as mesmas coisas como se fosse a primeira vez.

Alterando parcialmente uma frase histórica do imortal Nietzsche, é mais fácil lidar com uma má reputação do que com uma má consciência. Não sei se me entendem, mas a vida política de um país se complica de vez em quando poucos sabem quem realmente é aquele que é um abutre travestido de cordeiro. Pior é quando muitos sabem, mas fingem desconhecer. Triste daqueles que creem em um deus que quer ser louvado o tempo todo. Para sorte do povo que sonha com um Brasil diferente, mas igual para todos, uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança. Mudamos. Então, por que apostar no caos para recriar uma cópia mimeografada de uma história que mal começou.

Criem novos enredos, cresçam e reapareçam. A ambição de satisfazer uma vontade presente gera dúvidas numerosas para o futuro. Está escrito em Efésios 17 que, o efeito colateral do patético borboleteamento patriótico acaba em fezes. Já Efésios 22 diz que, além de Cristóvão Colombo e Steve Jobs, nem Malafaia tem o ovo em pé. Efésios 13 tem a resposta para a questão diferencial entre ovíparos e vivíparos. Os primeiros nascem com ajuda dos ovos, enquanto os segundos se criam com apoio da placenta. Nesse caso, quem é o eleitor abobalhado e quem é o político? Fácil! O dos ovos é o purgante e o da placenta o efeito.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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