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Panorama Político, por João Zisman

Política na capital tem o dia dominado pelo BRB e o antigo Centrad

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João Zisman - Foto de Arquivo

A Câmara Legislativa aprovou o Projeto de Lei 2.363/2026, que ratifica os termos do acordo homologado pelo ministro Luiz Fux, do STF, com a União, e autoriza o GDF a contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos.

A votação expôs o grau de divisão da Casa: 11 votos a favor, nove contra e uma abstenção.

Votaram a favor Eduardo Pedrosa, Hermeto, Iolando, Jaqueline Silva, Joaquim Roriz Neto, Pastor Daniel de Castro, Pepa, Martins Machado, Roberto Negreiros, Roosevelt Vilela e Wellington Luiz.

Votaram contra Chico Vigilante, Dayse Amarílio, Fábio Félix, Gabriel Magno, Jorge Vianna, Max Maciel, Paula Belmonte, Ricardo Vale e Rogério Morro da Cruz.

A deputada Dra. Jane se absteve.

A oposição anunciou reação judicial. Chico Vigilante afirmou que o PT pretende questionar o projeto no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. O argumento oposicionista é que o acordo pode impor restrições futuras ao DF, inclusive em concursos, reajustes e atendimento à população.

Do lado governista, Celina Leão classificou a aprovação como histórica e afirmou que a decisão garante a manutenção do BRB nas mãos dos brasilienses.

A leitura política é direta: a base conseguiu aprovar o socorro ao banco, mas não saiu ilesa. A votação apertada mostra que o BRB deixou de ser apenas uma crise financeira e virou divisor de águas na CLDF.

No Senado, o presidente do banco, Nelson de Souza, prestou depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos e informou que foram abertos mais de 20 processos para apurar o possível envolvimento de funcionários da instituição nas operações fraudulentas com o Banco Master.

Segundo Nelson, as apurações foram abertas nas corregedorias do BRB e do GDF, a partir do relatório produzido pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.

O presidente do banco afirmou que o BRB entrará com ações de responsabilidade civil contra ex-administradores envolvidos nas operações com o Master. Também disse que a instituição conseguiu bloquear 23,5% das ações que o grupo ligado ao escândalo detinha no banco.

O BRB já move ação contra o Master na 13ª Vara Cível de Brasília, cobrando indenização pela venda de carteiras de crédito consideradas problemáticas ou inexistentes.

Outro ponto sensível foi a discussão sobre seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões, supostamente usados como propina para o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Nelson afirmou que esse caso está sob investigação exclusiva da Polícia Federal.

Na CLDF, o pedido de convocação de Nelson de Souza para prestar esclarecimentos no plenário foi rejeitado por 11 votos contra, oito a favor e uma abstenção.

A leitura institucional é grave: o banco ganhou uma rota de capitalização, mas continua cercado por investigação, desconfiança política, pressão parlamentar e risco reputacional.

O Executivo tentou equilibrar a crise do BRB com uma agenda administrativa positiva.

Celina Leão anunciou o início da ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal, o CAD-DF, antigo Centrad, em Taguatinga. A primeira etapa prevê ocupação de 31% da estrutura em até 90 dias.

Cinco secretarias serão transferidas integralmente para o complexo: Obras e Infraestrutura, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Mobilidade, Meio Ambiente e DF Legal.

Também passarão a funcionar parcialmente no local a Casa Civil, a Casa Militar e a Secretaria de Governo.

A estrutura inicial envolve cinco blocos, com capacidade para receber até 1.638 servidores. O GDF estima economia de até R$ 168 milhões por ano com redução de despesas de aluguel.

O governo informou que não haverá compra de novos móveis ou equipamentos. A estrutura já existente nas secretarias será aproveitada. As intervenções previstas incluem pintura, impermeabilização, limpeza, substituição de materiais danificados e adequações pontuais.

A ocupação do CAD também é apresentada pelo GDF como medida de descentralização administrativa, com potencial de movimentar a economia de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Águas Claras.

A leitura de comunicação é favorável ao governo: depois de anos em que o Centrad foi símbolo de abandono e impasse, Celina tenta transformá-lo em vitrine de economia, descentralização e gestão.

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