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Descrédito histórico

Político é como fralda; precisam ser trocados

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Se os políticos brasileiros soubessem verdadeiramente o que o povo pensa deles, certamente poucos teriam a coragem de voltar a pedir votos no mesmo domicílio eleitoral. Fariam como fez este ano boa parte dos chamados bolsonaristas raiz, cuja maioria está respirando por aparelhos. Sem votos, sem a “força” do mito e provavelmente envergonhados, muitos deles tentam respirar novos ares. Carlos Bolsonaro e Hélio Lopes estão entre os aliados do ex-presidente Jair Messias que migraram para estados considerados mais favoráveis às suas histórias.

Filho do meio de Jair Bolsonaro, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro é candidato ao Senado por Santa Catarina. Deputado federal pelo Rio de Janeiro que concorre ao Senado por Roraima, Hélio Lopes foi, é o carregador de malas que se acostumou ao cargo de papagaio de pirata do ex-presidente. Parafraseando Rui Barbosa, todos os lugares são poucos para a benemerência daqueles que convicções e compromissos nada têm a ver com mandato legislativo.

Dirão os bolsonaristas que também é o caso de Marina Silva e de Simone Tebet. Elas mudaram o domicílio para São Paulo. Embora não sejam nascidas no maior colégio eleitoral do país, ambas têm peso político. Tanto que figuram nas primeiras posições nas intenções de voto para o Senado no Estado. Talvez seja essa a prova de que a ideia de uma e de outra não é somente a da cobiça política. Além do mais, os políticos têm o sexo do sexo dos seus atos. Portanto, em nome da boa verdade, não podemos escrever histórias unicamente masculinas.

Como o político não é senão um dos papéis que o homem representa na vida, pelo menos durante as campanhas em que eles lutam para se transformar em políticos profissionais me sinto seguro, educado e com a certeza de que terei saúde a qualquer momento do dia e da noite. Digo isso porque, enquanto eu finjo que vivo em um país sem mazelas, Benedito da Vozinha, Tião do Ovo, Manoel do Gás, Márcio da Ferramenta e Fátima Rola, entre outros candidatos a candidatos, fingem que vão “lutar” por mim, para e pelo povo. Que maravilha!

Pior é que a maioria deles acredita que nós, os eleitores, ainda acreditamos neles. Pesquisas mostram diariamente que boa parte da população não tem mais dúvida de que os políticos atuam em causa própria em não pelo interesse público. Por isso, preocupado com o pudor e com a destreza da censura eleitoral, não citarei as frases, versos e até poesias que leio e ouço sobre os políticos brasileiros. Entretanto, não posso esconder que, sem margem de erro, abraço a tese de Eça de Queiroz, para quem políticos e fraldas devem ser trocados frequentemente. “E pelo mesmo motivo”.

O descrédito das excelências e dos candidatos à honraria não é cíclico. Ele é histórico. Desde que o mundo é mundo, os políticos são sempre os mesmos. Alguns prometem construir pontes onde não há rios, outros garantem chuvas diárias para o sertão e muitos juram que ainda transportarão o Mar Vermelho para a Baía de Guanabara, Lago Paranoá ou para o litoral nordestino. Como a memória é um hóspede incômodo para os políticos, depois de eleitos todos, sem exceção, acham que a opinião dos eleitores é igual aos anúncios do YouTube. Eles a ignoram em cinco segundos. Pelo menos até a próxima eleição, quando tentarão um novo domicílio para espalhar novas mentiras.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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