Inversão de valores
Políticos ruins usam uma suposta perseguição como resposta à inoperância
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De Norte a Sul, de Leste a Oeste e sob vários aspectos, o Brasil vai muito mal. Os que ainda conseguem pensar sabem que o país já esteve muito pior e poderia estar no buraco negro caso as urnas não fossem realmente confiáveis. São coisas do passado, mas nunca é demais lembrá-las. Eu não tenho o voto vendido, tampouco a honra comprada. Por isso, parto sempre do pressuposto de que a índole de um político é desnuda quando ele faz pose de bonzinho, quando escolhe aquele a quem denominar de corrupto e, sobretudo, quando, lembrando uma celebridade, apela a seus seguidores, aos quais se apresenta como perseguido político.
Perseguição política é a alternativa mais comum aos inoperantes que não conseguem justificar os votos perdidos. Para esses, há um outro caminho, descoberto muito recentemente. Trata-se da tal da polarização política, o que, para um leigo como eu, não passa do efeito da inversão de papéis. Depois dessa modernidade, os políticos elegem o povo para representá-los. Inverteram-se também os valores, pois atualmente temos políticos se achando ruins porque temos políticos ruins se vendendo como perfeitos acima do bem e do mal.
Embora sejam um mal necessário, os políticos, bons ou ruins, não caem do céu. Eles são eleitos pelo povo. Então, se há alguém errado…Aliás, erramos do berço ao túmulo. Somos tão insanos que elegemos quem nos rouba, idolatramos os artistas que nos desprezam e desvalorizamos os professores que nos ensinam. No Brasil de hoje existem aqueles que, independentemente do partido, são contra a corrupção. Como contrapartida, existem os que, independentemente do tamanho da corrupção, são a favor do partido.
Ainda sobre valores, estejamos no Oiapoque ou no Chuí, é fácil observar que uma história mal contada pode fazer qualquer um de nós odiar o inocente e amar o mentiroso. Longe de mim avaliar os dois principais bedéis da política brasileira de nossos dias como bons ou ruins. São dois zeros, um à esquerda e outro à direita. No entanto, com a saúde mental plena e absoluta, tenho consciência do que é melhor para o Brasil de todos os brasileiros. Faço questão de repetir que não tenho lado. O que tenho é medo da facilidade como os governantes mal-intencionados podem se utilizar da ignorância de um povo.
Experimentamos isso não faz muito tempo. Foi um período em que a verdade foi a primeira coisa a ser sacrificada no altar da ambição pelo poder. Para sorte da maioria da população, poucos conseguem enganar muitos por muito tempo. Decerto que estamos longe do melhor dos mundos. Todavia, conseguimos nos afastar definitivamente daquele que contribuiu efetivamente para que alguns milhares de fanáticos causassem um prejuízo de milhões de reais à República. Não falo somente da bandalheira em prédios públicos. Falo do respeito à nação e ao povo ordeiro. Falo principalmente da obrigação de nunca mais escolher um mandatário cujo sonho incubado é o de ser imperador. Bom ou ruim, pelo menos temos um com fama de ladrão, mas com o peso de um democrata.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978