O lado silenciado
Por que a mídia ignora o trabalhador no debate sobre a escala 6×1?
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Quando o assunto é o fim da escala 6×1, a grande mídia tem aberto espaço generoso para grandes empresários e representantes de entidades patronais. É legítimo que esses setores sejam ouvidos, afinal, fazem parte do debate e serão impactados por qualquer mudança na legislação trabalhista. O problema não está em escutá-los. O problema está em escutar quase exclusivamente um lado da mesa.
Afinal, por que sindicalistas, trabalhadores do comércio, da indústria, dos serviços, aqueles que vivem na prática a rotina exaustiva de seis dias consecutivos de trabalho para um único dia de descanso, não têm o mesmo espaço para expor suas experiências? São eles que enfrentam jornadas longas, transporte lotado, desgaste físico e mental acumulado. São eles que podem falar sobre o que significa ter apenas um dia para descansar, resolver pendências domésticas e conviver com a família. Ignorar essas vozes cria uma narrativa desequilibrada.
Se a imprensa se propõe a promover um debate público qualificado, precisa garantir pluralidade de perspectivas. Ouvir apenas o setor patronal reforça uma lógica em que os impactos econômicos são superdimensionados, enquanto os impactos humanos são silenciados. A discussão sobre a escala 6×1 não é apenas contábil, mas também social, familiar etc. E, sem a voz dos trabalhadores, qualquer análise estará incompleta.