Curta nossa página


Turma 1507

Por que eu me apaixonei pela escola?

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Será que foi a minha infância marcante, com minha avó cozinheira, minha tia na direção e minha professora favorita, a ponto de eu insistir para minha mãe colocar o nome dela na minha irmã mais nova? Acho que foi o conjunto todo.

Eu sempre fui muito quieta. Um anjo! Mas, por alguma coincidência da vida, eu sempre estava por perto na hora em que os outros aprontavam. Eu juro!

Na turma 1507, me reinventei, e as coisas foram acontecendo. Como sempre, me apaixonei pelo cara mais gato da escola. Mas a paixão foi só minha…

Minha turma aprontava muito, e teve um dia em especial.

O Magrelo levou um vestido laranja da irmã e colocou uma peruca loira. Era o intervalo do lanche, e ainda teríamos prova logo depois.

A turma toda estava no corredor, e ele desfilava, incorporando uma modelo muito famosa do Sul.

Um dos meninos resolveu pegar o extintor de incêndio do segundo andar para dar um clima ao desfile. Mas, para o azar dele, perdeu o controle, e o negócio não parava de soltar espuma. Era para ser apenas um jatinho… mas o corredor inteiro ficou coberto de espuma.

Quando ouvimos o apito da dona Flor, a coordenadora da escola, foi aquele corre-corre.

Pronto! Nós nos trancamos na sala de aula, mas ela já tinha visto tudo pelas câmeras. Sabia exatamente quem tinha feito o quê.

Passada a bronca, nos preparamos para a prova.

Todos enfileirados, organizados e sem cola. O plano era simples:

— Sumam com todas as canetas!

Mas o negócio conseguiu ficar ainda pior.

Três pessoas pediram para ir ao banheiro, dizendo que estavam se coçando. O professor deixou.

Os três, sentados em fileiras diferentes, passaram discretamente do fundão para a frente da sala e, sem que quase ninguém percebesse, simplesmente recolheram todos os estojos.

Quando voltaram, a prova finalmente ia começar. Todos em silêncio…

Até que o Marquinho abriu o berreiro:

— Meu estojo sumiu!

— Eu vou falar para a minha mãe! Pronto. Começou outra confusão. Teve revista.

O professor quase surtou, porque não existia um único estojo ou lápis dentro da sala.

Abriu mochilas, olhou embaixo das mesas, das cadeiras… e nada. Tudo já tinha desaparecido.

Seria caso só de advertência?

Não.

Era caso de suspensão, porque aquela já era a segunda “obra-prima” da turminha no mesmo dia. Muitos alunos foram embora com os pais.

E eu?

Eu estava mais lascada ainda, porque meus pais só chegavam tarde.

Depois de muita insistência e de uma longa ligação para os meus avós, fui liberada às sete da noite. Enquanto ia embora, só conseguia pensar em uma coisa: eu adorava aquela turma.

Hoje percebo que não me apaixonei pela escola apenas pelos professores, pelas quadras, pelos campeonatos ou pelas amizades.

Apaixonei-me pelas histórias.

Porque, no fim das contas, são elas que continuam fazendo a gente voltar para aqueles corredores, mesmo depois de tantos anos.

E a turma 1507…

Ah, essa sempre vai morar no meu coração.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.