O Escárnio dos penduricalho
Por que magistrados ignoram IBGE e defendem privilégios acima do teto
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O IBGE atualizou os dados de rendimento domiciliar per capita de 2025 e o valor médio do Brasil ficou em R$ 2.316. O número, por si só, já revela muito sobre a realidade econômica do país. Estamos falando da renda média por pessoa dentro dos lares brasileiros, um indicador que escancara o quanto ainda somos uma nação profundamente desigual. Em um país continental, essa média esconde contrastes regionais que saltam aos olhos.

O mapa divulgado mostra que as diferenças seguem gritantes. O Distrito Federal aparece com a maior renda per capita do país: R$ 4.538. Na outra ponta está o Maranhão, com R$ 1.219 — menos da metade da média nacional e pouco mais de um quarto do valor registrado na capital da República. Esses números não são meras estatísticas frias; eles significam oportunidades desiguais, acesso precário a serviços e uma distância histórica que o Brasil ainda não conseguiu superar.
Diante desse cenário, espero que os juízes que viralizaram nesta semana defendendo os penduricalhos que elevam seus vencimentos para além do teto constitucional olhem com atenção para esses dados. Que percebam o abismo que separa a realidade da maioria da população dos privilégios de algumas carreiras de Estado. Num país em que milhões vivem com pouco mais de mil reais por mês, é preciso, no mínimo, consciência do lugar de privilégio que ocupam.