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O Valor do que é Nosso

Por que o futebol local ainda é a maior rede social do Brasil

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@donairene13 - Texto e Foto

Neste sábado, 28, decidi prestigiar o esporte local e fui ao estádio do Defelê para assistir ao jogo entre Sobradinho e Brasília, válido pela última rodada da primeira fase do Candangão. Era mais do que uma simples partida. Era a celebração de algo que muitas vezes esquecemos na correria da vida e das responsabilidades: a força da comunidade reunida em torno de uma paixão comum. O futebol, especialmente o futebol local, tem essa capacidade de nos reconectar com o território, com as pessoas e com a identidade coletiva. Sobradinho é a cidade onde cresci e sinto que acompanhar o time me reconecta com minha história.

O Estádio estava lotado. Famílias inteiras ocupavam as arquibancadas, crianças vestidas com as cores do clube, senhores comentando escalações com a autoridade de quem acompanha o time há décadas, jovens vibrando a cada lance como se fosse final de campeonato. A bateria não deu trégua um minuto sequer. O som dos tambores ecoava criando aquela atmosfera única que só o futebol proporciona.

O adversário, o tradicional Brasília, entrou em campo disposto a dificultar a vida do Leão da Serra. Mas o Sobradinho mostrou organização, garra e, sobretudo, consciência da importância daquele confronto. A vitória era necessária para garantir a classificação. Desde o primeiro minuto, a equipe demonstrou postura de quem sabia o que estava em jogo. Cada dividida era disputada como se fosse a última, cada ataque carregava a expectativa de uma arquibancada inteira.

A tensão típica de rodada decisiva pairava no ar. Em determinados momentos, o silêncio se impunha, especialmente quando o Brasília ameaçava. Em outros, a explosão era inevitável: a torcida levantava, a bateria acelerava o ritmo e o grito coletivo empurrava o time para frente.

E no segundo tempo veio o gol. Abraços, gritos, crianças pulando nos degraus das arquibancadas. O Leão da Serra fazia valer seu apelido e mostrava força dentro de casa. A partir dali, a torcida assumiu ainda mais o papel de décimo segundo jogador. Cada desarme era comemorado como um gol. Cada bola afastada da defesa parecia aliviar coletivamente centenas de corações.

Quando o apito final confirmou a vitória do Sobradinho, a sensação foi de dever cumprido. Deu tudo certo. O Leão da Serra garantiu a classificação para a segunda fase do Candangão e manteve viva a esperança de voos mais altos. O futebol local resiste, pulsa e emociona.

Ao lado do ex-deputado Paulo Tadeu

Entre os torcedores, registrei uma presença ilustre: o ex-deputado federal e distrital Paulo Tadeu. Sua presença ali, nas arquibancadas, reforça algo que considero fundamental: a política e o esporte não vivem em mundos apartados. Ambos fazem parte da vida pública, ambos mobilizam paixões e ambos impactam diretamente o cotidiano das pessoas. Ver uma figura pública prestigiando o campeonato local é também um gesto simbólico de reconhecimento da importância do esporte para o Distrito Federal.

Aliás, há quem diga que política e esporte não devem se misturar. Eu penso diferente. Eles se encontram naquilo que têm de mais humano: o senso de pertencimento, a disputa de projetos, a mobilização coletiva. O estádio é um espaço democrático por excelência. Nele, o trabalhador, o estudante, o empresário e o ex-parlamentar dividem o mesmo degrau, torcem pelo mesmo time e compartilham a mesma emoção.

Prestigiar o Candangão é também valorizar o que é nosso. É fortalecer os clubes que formam atletas, que geram empregos, que movimentam a economia local e que oferecem lazer à população. Em tempos em que somos bombardeados por grandes campeonatos internacionais e transmissões milionárias, é um ato político escolher estar presente no estádio do bairro, vibrando com os talentos da nossa terra.

Saí do Defelê com aquela sensação boa de quem fez a escolha certa para um sábado à tarde. A vibração da bateria ainda ecoava na memória. O sorriso das crianças vestindo a camisa do Sobradinho era a prova de que o futebol segue cumprindo sua função social. O Leão da Serra segue firme, classificado, e a torcida segue acreditando.

Que venham os próximos jogos. Que o estádio continue cheio. Que o Candangão siga forte. E que nós, como cidadãos do Distrito Federal, nunca percamos o hábito de prestigiar aquilo que nasce e cresce aqui. Porque apoiar o esporte local é, em última instância, apoiar a própria comunidade.

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