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Direita ou esquerda

Povo brasileiro precisa é de gestores honestos

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

No dicionário da minha cabeceira, direita e esquerda são apenas vocábulos de definição do ser humano destro ou canhoto, do manual de ordem unida dos militares, determinantes do giro do volante dos carros em marcha à ré e termos politicamente conceituais. Ocorre que nossas consciências e condutas políticas não permitem entender que conceitos são variáveis. No caso específico, esquerda e direita são muitas vezes apresentados como inimigos, embora um indivíduo ou grupo em particular possa eventualmente assumir uma posição mais à esquerda numa matéria e uma postura de direita ou até de tendência extremista à direita noutra.

Teorias à parte, em meu dia a dia os dois verbetes não significam, portanto, linha ideológica, ramificação política ou escalação de políticos. Insisto na afirmação de que meu partido é a família, minhas cores são o vermelho e preto do Flamengo e minha linha ideológica é a sensatez. Sou conservador para as questões disciplinares e de conduta e progressista se os questionamentos são no campo das ideias. Discuto quando sou instigado – e normalmente sou -, mas desligo o telefone ou fecho a boca ao imaginar que estou sendo testado ou quando percebo qualquer tipo de patrulhamento.

Abomino polarizações, cujo significado é conflito, discrepância, desacordo, desencontro. Por isso, faço e falo o que quero, para quem e onde eu quero. Às vezes, quem cala consente. Por absoluta preguiça, só não discuto com gente chata, aquela que não consegue entender uma opinião diferente da sua. Finjo concordar com os chatos torcendo para que eles calem a boca. E não discuto porque, no fim das contas, ter paz é deixar as pessoas acharem o que elas quiserem. Do meu catre carregado de liberdade e vazio de protagonismo, busco a certeza de que as conquistas não caem do céu, muito menos são doadas pela direita ou pela esquerda.

Elas exigem muita luta, esforço e força de vontade. Simpatias partidárias à parte, o Brasil não precisa de políticos de esquerda, de direita, de centro, de lado, nem de cima e nem de baixo. A necessidade da sociedade brasileira é de gestores honestos e que respeitem mais o povo do que suas contas bancárias. Sejam de direita ou de esquerda, não podemos nunca reclamar de nossos políticos. Na verdade, não devemos esquecer que fomos nós que os colocamos no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, nos governos estaduais, prefeituras, câmaras municipais e Presidência da República.

O melhor é lembrar que estamos próximos da terceira eleição polarizada.  Como tenho horror ao termo, torço para que seja a última, sob pena de o Brasil passar mais quatro ouvindo chororô de derrotados de um lado ou de outro. Aos que perderam em 2022, sugiro uma breve leitura sobre os ensinamentos do visionário, revolucionário e libertador Simón Bolívar, para quem a arte de vencer se aprende nas derrotas. Foi o que fizeram os que não venceram em 2018.

Imagino que eles devem ter aprendido que é melhor ser derrotado com dignidade do que vencer sem grandeza. Dizem os mais sábios, entre eles Abraham Lincoln, que o campo da derrota não está povoado de fracassos, mas de homens que tombaram antes de vencer. Aos perdedores e aos vencedores, convém lembrar que a vida não é medida pelos obstáculos que encontramos, mas pela coragem com que os enfrentamos.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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