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Primitivismo político

Povo precisa combater quem se insurge contra a pátria

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Tão antiga como o desejo dos poderosos em se perpetuar no poder, a expressão cachorro velho não late em vão significa o que os mais inteligentes do que os sábios da extrema-direita tentam diariamente mostrar aos neófitos da política e até mesmo aos que torcem pelo caos. Ou nos unimos contra o cinismo, a covardia, a ganância e o golpismo do conservadorismo ou, como covardes, seremos todos arrastados para a vala dos que querem introduzir a catástrofe na ordem do dia. O país ainda não se convalesceu do grande incêndio provocado por um estagiário de presidente, cuja plataforma sempre foi a desordem e a insurreição.

Ninguém nasce sabendo, mas os progressistas sabem desde o advento do bolsonarismo que o Brasil não é apenas um país de slogans, tampouco de grupelhos que só pensam em transformar a nação em um maldito latifúndio político-partidário. Parafraseando Joaquim José da Silva Xavier, o herói Tiradentes, se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la? Como disse Tiradentes, basta que queiramos. Afinal, a verdadeira grandeza do Brasil está em nossa capacidade de se reinventar e de aprender com a própria história.

O Brasil e os brasileiros do bem e da paz lutaram muito para se tornarem exemplos de democracia. Difícil, mas palpável além da conta, o momento político é de manter a luta para nos tornarmos efetivamente um país e um povo mais justos. Reiniciado em janeiro de 2023, esse objetivo só se tornará realidade se trabalharmos para fortalecer a democracia. Para isso, é fundamental que, no dia 4 de outubro, data das eleições gerais de 2026, consigamos combater o primitivismo político dos nativos que se insurgem contra a própria pátria.

Considerando que esses tipos são como a jabuticaba, fruta que só existe no Brasil, que pelo menos tenhamos a consciência de eleger quem mistura cores, sotaques e ritmos, mas mantém o coração pulsando em verde e amarelo. No dia em que o civismo precisa se sobrepor às paixões, o Brasil espera que cada um cumpra o seu dever. Não devemos ter medo dos confrontos ideológicos com aqueles que, na falta de ideias e de propostas, insistem em se apresentar como salvadores da pátria, embora não passem de profetas do fim dos tempos, aqueles que, mesmo não vendo perigo, alteram os fatos de modo a mostrar que ele existe.

São os que matam sem propósito. De olho no futuro, o planeta se tornou muito mais denso, evoluiu comercial, industrial e tecnologicamente, mas, do ponto de vista da compreensão e da cooperação não evoluiu. Na verdade, de acordo com os interesses postos à mesa, involuiu fanática e grotescamente. É o caso do Brasil bolsonarista, país muito impopular dentro do próprio país. O Brasil do clã e os brasileiros que seguem a rotina de ojeriza por todos que colocam a pátria acima dos interesses pessoais parecem continuar no mesmo estado letárgico dos anos 50 e 60, época em que nós, o povo, éramos as fake news.

Voltando à máxima de cachorro velho não late em vão, reitero que somente o conhecimento honesto nos permite começar a rever o passado com outros olhos para nos compreendermos melhor. A principal norma da democracia estabelece o livre arbítrio político. Ou seja, a escolha do presidente do governador, dos senadores e dos deputados federais, estaduais e distritais é de foro íntimo. Ninguém questiona a liberdade do voto. Questionável é uma multidão fingir desconhecer que o bolsonarismo é apenas uma ideologia associada à retórica da família. Não é.

O conceito da família misógina, racista e homofóbica envolve elementos do neofascismo do negacionismo científico, do porte irrestrito de armas, da rejeição aos direitos humanos e da aversão aos diferentes, prioritariamente aos da esquerda. É óbvio que qualquer corrente ideológica abriga bons e maus políticos. Faz parte do jogo que alguns se corrompam e se percam no meio da caminhada. O jogo precisa ser paralisado ou suspenso quando, em determinada legenda ou grupo político, todas as maçãs já são ensacadas podres. Não à toa, no Rio de Janeiro todos os aliados graduados do clã foram presos ou cassados por corrupção. Pior ainda é ler e ouvir que no Estado pelo menos 80% dos deputados estaduais estão envolvidos com milícias, tráfico e jogo do bicho. São esses que dormem e acordam alcunhando o principal adversário de ladrão.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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