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Tal pai, tal filho

Prazo de validade da mentira derrotou Jair Bolsonaro e derrubará 01

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Sem mais delongas, dizer que o pré-candidato Flávio Bolsonaro é mentiroso é chover no molhado. Por isso, tentando enfiar um prego na barra de sabão, decidi pelo caminho do eufemismo, informando que o primogênito do também mentiroso Jair Bolsonaro virou mágico. De mentiroso compulsivo, ele resolveu esconder a verdade, falar o que não é real. Conforme os especialistas em mentes avariadas, as pessoas mentem para evitar problemas, ganhar vantagens ou proteger sentimentos. Não é o caso do ilusionista Flávio 01, cujo objetivo é querer que, seguidores ou não, acreditem em ilusões.

Sutil como um elefante no cio, o candidato pensa e age como os que vivem de ilusão e não enxergam a realidade. Como a vida pune, normalmente o resultado de tudo que faz é uma repetição da política paterna. O mentiroso sempre colhe exatamente o que plantou, isto é, nada. A família tem expertise no assunto, mas não se emenda. Sem margem de erro para cima ou para baixo, claramente Flávio Bolsonaro herdou as características, os valores, os comportamentos e até mesmo a aparência do pai. É a história de tal pai, tal filho. Para os “patriotas”, essa parecência gera a quase obrigatoriedade de eleger Flávio como se fosse Jair.

Entretanto, para os demais brasileiros, eis a razão pela qual o Brasil quer distância de 01. Ele que faça uma cópia do green card de Dudu do Hambúrguer, aproveite a estadia de Donald Trump e o silêncio de Xandão, e parta para o outro lado da ponte enquanto há tempo. Entre uns e outros, há os que não falam, mas pensam que a capacidade que Flávio Bolsonaro tem para mentir é proporcional à habilidade que eles têm para fingir que acreditam. São os que sabem que o tempo desmascara as aparências, revela a mentira, expõe o caráter e leva o loroteiro ao esquecimento.

Repetir a mentira sobre a verdade da urna eletrônica para embaixadores talvez tenha sido o último ato público de ilusionismo de 01. E não adianta negar que mentiu para esconder a verdade. Afinal, meia verdade é sempre uma mentira inteira. O pior é que, depois da primeira mentira, toda verdade vira uma dúvida. Foi exatamente o prazo de validade da mentira a principal causa da derrota e da derrocada política de Jair Bolsonaro. Como não há mentira que dure para sempre e a ladainha continua sob o teto do clã, tudo indica que serão as pernas curtas da mentira as causadoras de mais um fiasco bolsonarista.

Conscientes de que o cérebro gasta mais energia para inventar uma lorota do que para dizer a verdade, imagino que alguns dos “conselheiros” do candidato da extrema-direita já devem tê-lo informado de que mais vale um seio na mão do que dois no sutiã. Em outras palavras, é sempre bom saber que a pior verdade custa apenas um grande desgosto. Já a melhor mentira custa muitos pequenos desgostos e, no fim, um grande desgosto. Resumindo, a mentira é uma verdade que não aconteceu. A de Flávio Bolsonaro só acontecerá no dia em que ele perceber que a plateia só é respeitosa quando não está entendendo nada. A dele não o entende e, por isso, o aplaude, mas não o elege. É a metáfora do sutiã.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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