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Excesso de química

Produtos de limpeza e higiene pessoal podem provocar esclerose

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Mary Manley/Via Sputniknews - Foto Reprodução

Dois produtos químicos encontrados em material de limpeza e até de uso pessoal (como sabonetes e xampus) podem estar desempenhando um perigoso papel no desenvolvimento de distúrbios neurológicos, como autismo e esclerose múltipla.

A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Neuroscience. Como contêm diferentes agentes químicos nocivos à saúde, os proutos afetan especificamente os oligodendrócitos do cérebro, que é um tipo de célula especializado que cria um isolamento protetor em torno das células nervosas.

Para chegar a esse ponto, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Medicina Case Western Reserve examinou mais de 1 mil 800 produtos químicos domésticos e identificou dois que danificaram seletivamente os oligodendrócitos.

Os produtos químicos pertencem a duas classes: retardadores de chama organofosforados e compostos de amônio quaternário (quats ou QACs).

“A perda de oligodendrócitos está subjacente à esclerose múltipla e outras doenças neurológicas”, disse Paul Tesar, principal autor do estudo. “Mostramos agora que materiais químicos na formulação de produtos de consumo doméstico podem prejudicar diretamente os oligodendrócitos; isso representa um fator de risco anteriormente não reconhecido para doenças neurológicas”, afirmou.

De acordo com a pesquisa, os quats causam a morte dos oligodendrócitos (células cerebrais que criam a camada protetora das células nervosas), enquanto os retardadores de chama organofosforados impedem que amadureçam.

Quats são frequentemente encontrados em produtos como sabonetes líquidos, amaciantes de roupas, xampus, protetores solares, lenços umedecidos, cremes de barbear e desinfetantes como produtos Clorox e Downy.

Os retardadores de chama organofosforados são encontrados em dispositivos eletrônicos, materiais de construção e móveis feitos com espuma e plástico, de acordo com o Green Science Policy Institute. O instituto também descobriu que produtos com retardadores de chama queimam de forma semelhante àqueles sem a substância química, fazendo com que seu uso pareça mais prejudicial do que relevante.

“Os retardadores de chama migram continuamente dos móveis para a poeira interna que é ingerida por pessoas e animais de estimação. Alguns destes produtos químicos estão associados à diminuição do QI em crianças, ao cancro, à perturbação hormonal e a outros problemas de saúde”, observa o instituto.

A pesquisa descobriu que quando a produção de oligodendrócitos é interrompida, pode causar distúrbios neurológicos como esclerose múltipla e autismo. Segundo Tesar, os pesquisadores conseguiram descobrir um “fator de risco anteriormente não reconhecido para doenças neurológicas”.

“Esperamos que nosso trabalho contribua para decisões informadas sobre medidas regulatórias ou intervenções comportamentais para minimizar a exposição a produtos químicos e proteger a saúde humana”, disse Tesar em comunicado.

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